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Os cavaleiros do Apocalipse

Domingo, 13 de Novembro de 2016 320 visualizações Partilhar

Será puro pessimismo ou já se ouve o tropel da revelação?...

O mundo acordou cinicamente surpreendido com a eleição de um populista, xenófobo, racista e instigador de ódios vários, para chefiar a nação que vem almejando policiar o globo.

Por muito que isso nos custe, não se trata de um detalhe pitoresco do nosso quotidiano, que por vezes é tendenciosamente “ajustado” pelos média, nem sequer de um caso isolado isento do risco de contágio.

Independentemente das causas do incontornável crescendo de tensões políticas, sociais e militares que vêm pontuando a atualidade, a realidade teima em demonstrar-nos que algo/muito vai mal, ao colocar na liderança de algumas nações com peso geo-estratégico, personalidades com fortes laivos de instintos ditatoriais e com projetos de governação discutíveis e, amiúdes vezes, condenáveis.

Mesmo que algumas das ameaças explícitas e/ou veladas, proferidas em fase de campanha eleitoral por Donald Trump, se venham a esbater ou (pura e simplesmente) a serem esquecidas, não poderemos ignorar que ele vai interagir com o mundo exterior (ao visionado a partir da 5ª Avenida e da sua Trump Tower), sem que até ao momento alguém nos tenha demonstrado a sua capacidade/competência para o cargo em que será empossado.

Nesse jogo de poder, em que raramente importam os “detalhes” (leia-se populações), encontrará como parceiros (qual filme de aventuras ao estilo de James Bond...):

- Vladimir Putin / Rússia (Ex-agente do KGB / 1º ministro de 1999 a 2000 / presidente de 2000 a 2008 / 1º ministro de 2008 a 2012 / presidente desde 2012) que, coincidentemente, e sob a justificação de pretender devolver a grandeza passada ao seu país, não vem hesitando em provocar “incêndios” pelo mundo que generalizadamente “queimam” pessoas e bens;

- Recep Erdogan / Turquia (1º ministro de março de 2003 a agosto de 2014 e presidente desde agosto de 2014), o que aproveitando (ou forjando?) uma tentativa de golpe de estado (1ª quinzena de julho de 2016) vem decapitando o estado de direito turco, prendendo, despedindo e ameaçando com a pena de morte, todos os que a ele se oponham, desconstruindo a justiça, o ensino, as forças militares e de segurança, como tudo o que de organizado e vagamente democrático existia no país.

- Kim Jong-un / Coreia do Norte (líder supremo desde DEZ11), aquela infeliz caricatura que, usando e abusando do poder que detém, assassina os seus familiares e colaboradores com requintes macabros, escraviza o seu povo de um modo insano e destabiliza toda a região asiática com os seus devaneios bélicos e nucleares.

- Rodrigo Duterte / Filipinas (presidente desde junho de 2016), tornado famoso pela sua solução draconiana de combate às drogas ilícitas, que enveredou pela instigação à chacina de traficantes e tóxico-dependentes, abrindo portas para uma escalada de homicídios injustificados e infundados.

- Nicolás Maduro / Venezuela (presidente desde abril de 2013) que, independentemente de estar à frente de um país detentor de enormes reservas petrolíferas, arrasta pela sua inabilidade política, grande parte da população para uma situação generalizada de escassez de bens essenciais, onde os mais desfavorecidos já enfrentam a fome.

- Bashar al-Assad / Síria / de etnia alauíta (presidente desde JUL2000) que, numa estratégia de manutenção do poder, não tem hesitado em matar e levar à morte inúmeros civis. O mesmo que, em entrevista exclusiva ao Sunday Times, alegou a rir que “a morte de centenas de crianças na Síria não lhe tira o sono.”

 

Inquietem-se porém, pois “a procissão ainda vai no adro”...

 

O descrédito generalizado nas instituições representativas e governativas das nações, associado aos aparentes sucessos eleitorais e/ou políticos de atores populistas deste calibre, como o tardiamente satirizado Trump, está a criar condições para que já em 2017, se possa assistir a um volte face em alguns atos eleitorais da velha Europa, levando a que partidos populistas de extrema-direita possam atingir patamares nunca até agora equacionados.

 

Geert Wilders (candidato a 1º ministro Holandês, em março), Marine Le Pen (candidata presidencial em França, em abril), Norbert Hofer (candidato a líder do governo austríaco, em dezembro) e outros que a estes se seguirão, partilhando de chavões sintomaticamente semelhantes, candidatam-se a integrar as hostes daqueles que, apelando ao isolacionismo nacionalista, à xenofobia e à generalização do medo, tudo têm feito para tornar realidade a escalada bélica a que todos vimos assistindo.

 

Estarei totalmente enganado os estamos a assistir à formação da tempestade perfeita?

 

Terra-Chã, 13 de novembro de 2016

 

Paulo Vilela Raimundo

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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