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Quanto pior melhor...

Quarta, 30 de Novembro de 2016 467 visualizações Partilhar

Fez recentemente um ano, que o atual Governo da República Portuguesa, apelidado ressabiadamente por Paulo Portas de “geringonça”, entrou em funções.

Dos inúmeros equilíbrios possíveis e concretizados, vistos pela maioria dos portugueses como resultado de uma democracia parlamentar saudável, vêm resultando inegáveis aspetos positivos que, assumindo uma clara opção (maioritariamente) política pró-cidadania, por vezes ombreiam com alguns incidentes de percurso que, mesmo assim, podem pôr tudo a perder.

Perante tantas variáveis internas e externas da atualidade globalizada, e sabendo-se que o mundo de hoje se depara com uma crise generalizada de que se desconhece a saída garantida, o que ingenuamente não esperávamos é que alguns de nós (felizmente poucos e cada vez menos...), sentindo-se mais habilitados que os outros para as “artes de governança”, tenham a indefensável esperança de que algo de grave corra mal, para depois dizerem:

Eu não disse?

Sob essa estratégia de pessimismo alarmista e de consequente sabotagem interna e externa, por vezes hardcore, vimos assistindo ao longo dos meses a uma sequência de boatos e falsos alarmes, que sistematicamente têm sido sendo desmontados pelas entidades supervisoras europeias e pela própria opinião pública portuguesa.

Não bastando, e sentindo-se já um enorme desconforto no interior dos partidos políticos que constituíram o anterior governo, há os que teimam em manter o discurso de negação, ignorando que já nem os seus pares se reveem nessas atitudes.

Mesmo assim, nas últimas semanas fomos forçados a assistir a um ataque cerrado à Caixa Geral de Depósitos que culminou com a demissão de grande parte da administração recentemente empossada.

Sabendo-se que o que realmente se passa nos bastidores da alta finança raramente chega à opinião pública, poderemos sempre justificar o ocorrido como resultado da frustração dos setores neoliberais que, desejando a privatização do único banco público nacional, não hesitaram em recorrer ao populismo (num país onde só os jogadores e treinadores de futebol têm direito a receber vencimentos faraónicos...) para afetar gravemente o banco que maioritariamente gostaríamos de continuar a chamar “nosso”.

Perante a tomada de posse de uma administração heterogénea e implicitamente competente, que obrigou a uma aprovação prévia da União Europeia, e após a obtenção da “dolorosa” autorização externa para que se desse início à sua recapitalização pelo próprio Estado Português (pondo fim a um novo “saque de colarinho branco” apelidado de privatização...), eis que um hipotético acordo de sigilo face aos rendimentos dos seus gestores lançou “o fogo na tenda”.

Quando todos nós já antevíamos como solução a apresentação das declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional, vedando a sua consulta a quem não fosse previamente habilitado, eis que até o Bloco de Esquerda soçobrou perante os “encantos” do populismo (desta feita à esquerda), votando ao lado do PSD e do CDS, levando ao desfecho que todos conhecemos.

Gostaria de estar enganado mas, mais uma vez, sinto que os interesses pessoais ou cooperativos de S. Bento não estão a defender o meu interesse pessoal, nem o dos meus.

As sondagens recentes poderão ter o valor que têm, e o nível de reconhecimento público que delas emanam (dando ao eis primeiro-ministro/ainda líder do PSD o pior resultado face a todos os líderes parlamentares…) até poderá estar errado, mas detestaria ver o meu futuro destruído por pessoas que depois do estrago causado, “zarpam para novas paragens” (leia-se: assumindo cargos de estruturas internacionais parasitárias) como recompensa pela traição aos seus concidadãos e a título de reconhecimento dos “seus donos”.

Ainda se lembram de quem foi Miguel de Vasconcelos?

 

Angra do Heroísmo, 29 de novembro de 2016

 

Paulo Vilela Raimundo

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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