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DESINFORMAÇÃO - O Vulcão dos Cinco Picos e a “Desinformação” a que está sujeito

Segunda, 05 de Dezembro de 2016 1094 visualizações Partilhar

"Desinformação", tal como aparece definida no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (2008-2013) e como conceito resultante de uma nova postura face à divulgação do conhecimento da progressão científica, “… é a utilização das técnicas de comunicação e informação para induzir a erro ou dar uma falsa imagem da realidade, mediante a supressão ou ocultação de informações, minimização da sua importância ou modificação do seu sentido.” E o autor da análise que li especifica ainda que “…Tem como objetivo influenciar a opinião pública de maneira a proteger interesses privados.”

Quando me chamaram a atenção para o facto de estar a acontecer algo semelhante na Ilha Terceira com a ocultação do conhecimento científico sobre o valor excepcional do Vulcão dos Cinco Picos, não informando devidamente a população sobre a sua natureza excepcional (no quadro dos sistemas vulcânicos da Europa), nomeadamente na página da Internet do “Geoparque dos Açores”, mas também na informação geral distribuída nos panfletos de turismo, resolvi voltar a este assunto. A minha intenção é a de o colocar no plano da Legislação corrente e entrega-lo à consciência dos respectivos profissionais, tendo em consideração a obrigação ética (que lhes cabe) da defesa de valores patrimoniais deste tipo.

Passados que foram 2 ou 3 anos desde que primeiramente alertei os Terceirenses para esse crime de lesa propriedade científica, nunca mais ouvi nada sobre o assunto. Recentemente, no entanto (e depois de instada) soube que a Câmara Municipal da Praia da Vitória resolveu contactar o responsável científico do “Geoparque dos Açores” sobre a situação de ausência dessa informação na respectiva página, sem resultados visíveis. Recordo que eu própria o tinha feito no passado, directamente, de viva voz, igualmente sem consequências. Assim sendo, vejo como pertinente a questão de certo tipo de acção judicial, dado que o prejuízo aumenta na razão inversa da passagem do tempo e também de uma maior afluência de turismo (desinformado). Reportando-me à primeira vez que ouvi, numa palestra na Sede dos Montanheiros, o Prof. Victor Hugo Forjaz falar sobre o monstro que terá sido esse vulcão, na sua maior dimensão (calculada em 8000m) e a impressão que me causou tal facto, “residente” ali ao lado (nessa altura vivia eu numa área das vertentes que lhe restam), e também no modo como passei a vê-lo daí para o futuro, percebi a importância do acesso à informação científica. Essa emoção que me foi facilitada há anos, está a ser permanentemente negada aos Terceirenses, aos Açorianos, aos Portugueses, aos Europeus e em geral, a quem visita aquele espaço e não se apercebe da sua natureza excepcional. E isso deve-se a uma “desinformação” sistemática, nomeadamente neste caso, pelo coordenador científico do Geoparque dos Açores, que omite na página aquilo que definiu em tempos (em tese de doutoramento), como: “…Caldeira dos Cinco Picos/Serra do Cume a maior do arquipélago”.

Antonieta Costa 30/11/2016

 

Colunista:

Antonieta Costa