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Sobre a arte da incoerência

Domingo, 18 de Dezembro de 2016 228 visualizações Partilhar

As inconsistências da opinião são muitas vezes o fundamental da crítica que se pode fazer à pessoa que a dá. A incoerência não é defeito da ideia defendida, mas da pessoa que a defende. Opiniões todos temos, sejam elas quais forem. Quando passamos ao ridículo de as ver como alicerces morais da coletividade, tornamo-nos falsos liberais e falsos democratas.

Uma pessoa por muito aberta que seja à liberdade, não pode cair na tentação de defender uma anarquia moral. Não pode defender a libertinagem como essência da sociedade. Uma pessoa que seja a favor de tudo, nunca o é de facto e a incoerência torna-se fiel aliada da opinião prestada. Uma pessoa que é contra a tudo aquilo que não defende, passa a defender uma ditadura mental - ou a sua ideia ou nada.

A base da liberdade passa pela capacidade de pensar por si e defender um ideal, sem que se oprima o outro por pensar diferente. Porém se a ideia defendida colocar em causa o imaginário coletivo, tem de ser contestada não pelo comum humano, mas pela humanidade em geral.

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Não existe perfeição na componente identitária de uma pessoa. A pessoa é digna de pensar diferente sobre assuntos que normalmente seguem um sistema, uma lógica e um processo – comunista/ateu ou conservador/cristão – logo, a dignidade e a liberdade humana devem poder dar à pessoa a possibilidade de ser um ateu e um conservador ou um comunista e um cristão. A pessoa perfeita, que pense uniformizado demais, torna-se desinteressante. Se um processo existe e é coerente, o seu oposto não se irá tornar incoerente por obsessão da lógica. Incoerência é pensar que só um lado de uma moeda importa.

 

Colunista:

Emanuel Areias

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