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IMATERIALIDADES E ESPIRITUALIDADES

Sábado, 24 de Dezembro de 2016 197 visualizações Partilhar

A gente está a transformar o Natal numa coisa muito estranha porque, por um lado, interessa comemorar alguma coisa para se poder comprar, vender e fazer negócio, além de que a gente gosta de festejar, mas, por outro lado, interessa fazer uma festa onde todos caibam e ninguém se sinta mal, donde resulta, cada vez mais, uma “coisinha morna”, assim como canja sem miúdos e feita a partir de um cubo qualquer comprado no comércio, porque o politicamente correcto é fundamental.

Vou tentar explicar-me um bocadinho melhor.

A palavra Natal refere-se a nascer e a nascimento e, mais ainda, a um certo nascimento. Logo a gente comemora ou celebra o Natal então tem de saber que está a referir-se ao nascimento de um menino, em Belém, a que puseram o nome de Jesus. Tem pouco sentido dizer Natal e esquecer isto.

Igualmente vale a pena recordar – que quer dizer trazer de novo ao coração – que comemorar se refere a trazer à memória em conjunto, ou seja tornar lembrada uma coisa para que não seja esquecida. Comemorar o Natal é, portanto, trazer à memória o tal nascimento de que falei.

E a gente dá presentes, nessa ocasião, e dar presentes é querer fazer-se presente junto de outras pessoas, mesmo quando a gente deixar de estar ao pé delas, esperando e desejando que elas, cada vez que usarem essa coisa ou comerem parte desse alimento ou bebida que demos, se recordem de nós e da ocasião em que o fizémos.

Assim sendo, a gente dá presentes – para se tornar lembrada e lembrar -, porque está a comemorar – a trazer à memória –, e a recordar – a trazer ao coração –, o Natal – o tal nascimento do menino, em Belém de Judá.

Vale a pena recordar aqui, para os que gostam da língua inglesa, que a palavra “Christmas” inclui o nome de Cristo nela própria, o que torna impossível, pelo menos para o meu pobre entendimento, perceber como é possível alguém querer festejar o “Christmas” sem ter presente que está a fazê-lo porque Cristo existe!

Hoje em dia, porém, deixa-se o presépio de lado pois pode ferir os sentimentos de alguém, ilumina-se a árvore com cuidado para evitar símbolos que possam ferir as os pensamentos de alguém, evita-se ler, fazer, dar, cantar, oferecer, trocar, mostrar, qualquer coisa que possa significar mais do que ideias vagas e politicamente correctas. E acabamos no caldinho sem sabor, mas cheio de adereços politicamente correctos.

Devo dizer que o que me preocupa mais não é a enormidade dos gastos, das luzes, das coisas que são passadas de uma mão para a outra, etc., nesta época. O que me preocupa é a ligeireza de espírito, a cretinice dos comportamentos, a falta do sentido profundo das atitudes, com que muito disso é feito.

A época de Natal é, porventura mais que todas as outras do ano, um tempo em que os nossos actos deviam ser um bocadinho mais pensados, mais reflectidos e mais profundos. Gaste-se o que se quiser, faça-se o que se quiser, mas que isso se faça sabendo e sentindo, com a espiritualidade necessária, o porquê dos nossos actos. Para que todos caibamos nesta Festa, por inteiro!

Boas Festas!

 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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