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Bancos & Banqueiros - Uma década para esquecer

Terça, 10 de Janeiro de 2017 293 visualizações Partilhar

Eu, como provavelmente a maioria dos portugueses, questiono-me quanto ao papel atual dos bancos que, na qualidade de instituições financeiras, a existirem, deverão desempenhar um papel necessário à sociedade que os suportam.

Na sequência da criação da moeda, como mecanismo suporte das trocas entre os povos, foi gerada a necessidade de existência de alguém que assumisse a responsabilidade de guardar e/ou emprestar o dinheiro, como novo protagonista da economia.

Em pleno período do Renascimento, e “pela mão” de banqueiros judeus de Florença, foi instituído o conceito de “banco”, como analogia à mesa utilizada para a troca das moedas, sendo o Banco di San Giorgio, criado em Génova em 1406, aquele que é considerado como o primeiro banco moderno.

Os bancos (que julgávamos conhecer) tinham como papel, sustentado numa indestrutível confiança pública, a captação de verbas excedentárias de uns e o empréstimo destas a outros, pagando ou cobrando juros, cujo diferencial a favor do banco chega aos nossos dias com a definição de spread bancário.

Se bem que a detenção do poder económico sempre andou envolvida em tensões e conflitos com os poderes instituídos, sejam eles oriundos de monarquias ou repúblicas, em conjunturas ditatoriais ou democráticas, comprova-se que nos últimos tempos, a gestão bancária foi-se tornando mais complexa e opaca para os cidadãos, como fruto da associação em grandes conglomerados transnacionais e da manipulação ficcionada dos fenómenos bolsistas.

Desta internacionalização do capital, e da impossibilidade prática de conhecer os verdadeiros motivos da sua gestão, resultou a perda de confiança que a sociedade lhes devotava, restando apenas a dependência, por vezes escravizante, do financiamento da economia das nações.

Com a confirmação de um crash bancário de dimensão global, vindo a público com o caso Lehman Brothers (2008), iniciou-se um período em que que o mundo se viu confrontado com o empobrecimento generalizado das populações e os governos se viram a braços com garrotes político-financeiros extremos, tendo como único objetivo a recapitalização da banca mundial e o pagamento aos donos dos idolatrados “mercados” de tudo o que o seu agiotismo e ambição desmedida lhes levou.

O resultado disto foi o desaparecimento automático do dinheiro na economia e a falência técnica e sucessiva dos bancos, obrigando os mais variados governos, alegadamente defensores das mais diversas ideologias políticas, à subjugação humilhante e fratricida de remediar os estragos, sem olhar por aqueles que os elegeram.

Em pleno século XXI, comprova-se que a banca internacional deixou de cumprir a sua função económica perante a sociedade, ao negar os devidos juros àqueles que depositam as suas poupanças e ao dificultar os empréstimos àqueles (que não estando incluídos nos círculos dos “amigos”…) necessitam de incrementar os seus negócios.

Diariamente são-nos fornecidos detalhes sobre a banca nacional (leia-se Banco Português de Negócios, BANIF, Banco Espírito Santo, Novo Banco, Caixa Geral de Depósitos, ...), que em vez de nos deixarem descansados, ou no mínimo mais confiantes, nos criam a sensação de que tudo vale, neste saque sem face perpetrado pelos “fundos abutre” e permitido/imposto pelas instâncias europeias.

Bem sei que nasci num país pequeno, que muitos insistem em ver como periférico e subdesenvolvido, mas que tem um enorme passado e muito orgulho na sua autodeterminação e independência. Por tudo isso pergunto:

Nos dias que correm, e nos moldes em que funcionam atualmente (onde já não existe a confiança e não se vislumbra a função), para que nos servem os Bancos?

 

Angra do Heroísmo, 10 de janeiro de 2017

 

Paulo Vilela Raimundo

 

 

 

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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