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Identidade e pátria açoriana

Segunda, 23 de Janeiro de 2017 237 visualizações Partilhar

A ideia agregadora dos Açores nasce da ideia de cisão. O conjunto múltiplo de identidades difundiu-se a partir de uma lógica de partida semelhante – os açorianos são portugueses e são de um espaço definido. A multiplicação da diferença parte, depois desta ideia, pela falta de unidade territorial, pela inexistência de uma comunicação comum e pela identificação com uma cultura própria.

Os Açores, como um todo, possuem uma característica muito própria, que ao longo da História, prova, na minha opinião, a consciência açoriana comum – o distanciamento físico e cultural em relação ao continente. Esse é, assim, o fundamental da agregação. Levará, aliás, às várias tendências separatistas que foram perdurando nas mentes dos ilhéus. Bem, naqueles que eram adeptos de uma independência real. Que na realidade eram uma porção muito própria e característica da sociedade açoriana, nas diversas épocas.

Não é impossível imaginar quando se fala numa pátria açoriana. Eu prefiro falar em pátrias. O complexo de ilha em ilha é o de evidenciar a sua especificidade face ao todo. As pátrias são, portanto, a forma essencial que explica o conjunto de pequenas realizações individuais que cada ilha assume, na vontade de serem um espaço autónomo e próprio dentro de um espaço maior – os Açores/ a pátria mãe. Ceder para o conjunto de comuns (outras ilhas), e não para o continente distante.

A partir dessa conceção de pequenos espaços/pequenas pátrias, que se realizam, na comezinha forma de agir, cada ilha quer pertencer ao espaço do mar. Isso forma os Açores. Concretizar a pátria açoriana é uma dificuldade perene, porque raramente se consegue abdicar do caráter micro de cada identidade ilhéu. Muito longe ficará o espaço continental, que durante muito tempo via as ilhas como território adjacente.

A especificidade de cada ilha, porém, não impedirá a plataforma infinita de um entendimento entre ilhas. Para manifestação de interesses e estratégias, que sejam comuns. Porque é dessa diversidade que se poderá concretizar mais facilmente a ideia de pátria açoriana.

O que fica patenteado é que a realização dessa projeto não está concretizada. Mais, esse projeto não se efetiva pela obrigatoriedade de cisão com Portugal (país). A cisão mental é o fundamento da existência dos Açores, mas não a real.

PS: reflexão e opinião sobre identidade açoriana e pátria. Com apoio de: “Que futuro para os Açores?” (A. Borges Coutinho, A. Soares de Melo, Carlos Enes, José Bettencourt, Victor Ávila); e Obras IV Escritos Político-Administrativos – organização Carlos Enes.

 

Colunista:

Emanuel Areias

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