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Divide et Impera

Quarta, 08 de Fevereiro de 2017 1905 visualizações Partilhar

Como um sempre eterno “dejá vu”, teimamos em mostrar-nos permeáveis a estratégias divisionistas, que à semelhança do preconizado por Filipe II da Macedónia (382 – 336 a.C.),Caio Júlio César (100 - 44 a.C.), Napoleão Bonaparte (1796 - 1821) e muitos outros que se lhes seguiram, tendem a retalhar a imperfeita (mas incómoda...) União Europeia, em privilégio de alguns e com prejuízo inevitável para mais de meio bilião de cidadãos europeus. Os populismos crescentes e os interesses geopolíticos em permanente mudança, direcionam sob os nossos olhos/votos, as baterias para uma região (europeia), detentora de um passado identitário sedimentado culturalmente e representativa de um potencial papel de liderança global. Tal como referido nos compêndios da História, a estratégia mais uma vez tentada “consiste em ganhar o controlo de um lugar através da fragmentação das maiores concentrações de poder, impedindo que se mantenham individualmente. O conceito refere-se a uma estratégia que tenta romper as estruturas de poder existentes e não deixar que grupos menores se juntem.” Os ataques internos e externos que placidamente vimos assistindo, já demonstraram, negando, as (in)certezas das alegadas elites políticas europeias, surpreendendo-nos a todos com a confirmação do “Brexit” (liderado por Nigel Farage do partido de Independência do Reino Unido - UKIP), com a eleição de Donald Trump e com o aparecimento ameaçador de partidos populistas, maioritariamente de extrema-direita, como possibilidades de vitória nas eleições que se avizinham sob as lideranças de: Geert Wilders / PVV (extrema-direita) / Holanda / 15 de março; Marine Le Pen / Frente Nacional / França / 23 de abril ; Roberto Maroni / Liga Norte da Itália … e outros que provavelmente se seguirão. O separatismo alegadamente nacionalista, mas que coincidentemente aceita que os seus líderes usufruam de amizades e parcerias transnacionais, partilha slogans e objetivos ingenuamente tidos como internos, oferecendo-nos diariamente por via dos média, imagens ou notícias que dificilmente poderemos tomar como inóquas: as mãos dadas entre Donald Trump e Theresa May, as visitas amigáveis de Marine Le Pen à Trump Tower, … revelando nacionalismos isolacionistas com contornos e objetivos de poder em muito partilhados! Quiçá a motivação dos ataques resulta do facto da U.E., a par com a China, ser já uma importante rival dos EUA, no que à supremacia económica e política global diz respeito?... Sendo a política a arte de gerir o possível, mesmo quando este não se assemelha aos ideais que gostaríamos de ter como futuro, não nos é possível ignorar que a Alemanha pela sua localização estratégica, a sua capacidade financeira e o seu número de habitantes tornou-se inquestionavelmente na maior potência no interior da U.E. e numa das maiores a nível global. Nas eleições internas alemãs, que já mexem e muito nos bastidores da política europeia e mundial, já se perfilam os dois mais fortes contendores, em que Angela Merkel, liderando uma coligação de direita, enfrentará Martin Shulz, do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), coordenador da bancada socialista da UE desde 2004 e Presidente do Parlamento Europeu desde janeiro de 2012. Escusado será dizer que o futuro da Europa, enquanto uma união de estados, dependerá dos resultados destas eleições. Mais do que um problema de esquerda ou direita, mais ou menos moderadas, as questões vitais que os alemães, e todos os outros europeus, terão de enfrentar centram-se na escolha entre uma Europa forte e tendente para uma federação de estados solidários e respeitadores das especificidades de cada um ou, pelo contrário, aceitar que interesses externos e internos levem ao fim do euro e ao colapso do sonho europeu. Estamos todos cansados de repetir o chavão: “A união faz a força”. Chegou a hora de o provar e de o defender, debatendo e influenciando as decisões que condicionarão o nosso futuro coletivo. ...e no que aos populistas diz respeito, e mesmo que me acusem de niilista, pergunto: conseguem acreditar em alguém que diz o que sabe que gostam de ouvir e faz o que lhe dá na real gana? Terra-Chã, 7 de fevereiro de 2017

Colunista:

Paulo Vilela Raimundo

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