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CONHECER AS NOSSAS ILHAS

Segunda, 16 de Outubro de 2017 98 visualizações Partilhar

Não sei se já repararam, mas a gente vive num arquipélago!

Quer isto dizer que são pedaços de terra, separados uns dos outros por mar ou, como prefiro muito mais explicar, mundos ligados entre si por água salgada.

Porque, de facto, estas ilhas - e arrisco mesmo a escrever, todas as ilhas -, são mundos completos que se espreitam, se criticam, se admiram, uns aos outros, por cima do parapeito das rochas e do calhau. São entidades completas, mesmo que pequeninas, e não pedaços de uma outra coisa, grande e estranha, que ninguém sabe bem o que é.

Esta segunda forma de ver é importante porque coloca as ilhas no meio do mar e não o mar entre as ilhas, o que não é coisa pouca, pois transforma essas águas, todas, que nos rodeiam, no caldo que nos une e não na fronteira que nos separa...

Esta segunda forma de ver é, também, importante, porque, o ponto de vista geográfico, geofísico, biológico e cultural as ilhas - quaisquer ilhas, repito -, são isso mesmo, mundos completos interligados por mar, tornados complementares pelo mar que as une.

Vem isto tudo a propósito do tipo de transportes marítimos que temos e não temos, entre as ilhas, e do modo como isso pode, ou não, favorecer uma boa interpretação da nossa identidade profunda.

Já escrevi aqui, mas não custa recordar, que a lógica da expansão portuguesa, de que os arquipélagos de Açores e Madeira são fruto e produto completo, é uma lógica marítima, que considera o mar como o meio natural de comunicar e a terra como algo que devia ser tratado com cuidado e, até, receio.

Ora nós temos vindo a desenvolver uma tipologia de transportes que considera o mar como algo que se atravessa rápido, qual autoestrada, sem olhar muito para os lados, porque o que interessa é “chegar ao destino”.

Tenho para mim que, sendo sem duvida uma possibilidade ou, até, uma alternativa, isso de andar depressa e a correr, devíamos ter um tipo de transporte que privilegiasse o contacto com a terra, a partir do mar, transformando a viagem em passeio, em vez de correria.

Vários turistas com quem tenho contactado, estariam dispostos - e alguns estavam e queixaram-se de não poder fazê-lo -, a ir de uma ilha para a outra aproveitando a viagem para “visitar” as ilhas que fossem passando diante dos olhos.

Reconheço que têm imensa razão. Nos tempos do velhinho Terra Alta e Santo Amaro a gente ia bordejando as ilhas e procurando adivinhar que terras eram e como eram. Agora atravessa-se “de salto”, fechados numa caixote de plástico, metal e vidro, como se nada interessasse a não ser chegar ao destino. É muito pouco e transforma-se um tempo de experiência possível, num tempo sentido como gasto e penoso.

Se, no navio, existir uma ou várias telas, que expliquem o que está diante dos olhos, a viagem transforma-se, definitivamente, numa actividade interessante.

As nossas ilhas conhecem-se vendo-as do mar! Importa que os barcos que as ligam possibilitem isso! Para nosso proveito e dos outros.

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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