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--> Hoje, dia 18 de Novembro de 2017

A TRIPOLARIDADE ESSENCIAL

Sábado, 11 de Novembro de 2017 85 visualizações Partilhar

Criada, em 1976, a agora UAç definiu-se, logo, como tripolar e importa reconhecer que essa tripolaridade e os pontos onde ela assentou enraizavam nas antigas capitais de distrito, doravante sem essa relevância administrativa, mas portadores de uma relevância cultural e comunitária que se mantinha.

Primeiro como Instituto Universitário dos Açores e, a seguir, como Universidade, assumiu, também, uma estrutura departamental que então estava em voga entre as novas instituições de ensino superior, algo inspirada nos modelos anglo-saxónicos e que parecia ser interessante, nova e dinamizadora de outros modos de estar.

Depois, tem sido o que se sabe, quanto a tutelas, a orçamentos, a perspectivas e visões, alternativas ou alteradoras da realidade, num esforço de geometria variável, mas sempre queixoso.

Queixoso, sobretudo, de uma coisa, quase sempre malquerida pela nossa universidade, embora a argumentação tenha variado e continue a variar: a questão da tripolaridade!

Ora tenho para mim que a Universidade dos Açores é uma entidade pública, um serviço público, mas, porém, e principalmente, uma entidade geradora, criadora e sustentáculo maior de uma identidade: a nossa!

Uma identidade, essa, a nossa, que se baseia num território, num corpus de vivências passadas e presentes e numa localização distinta doutras, ao mesmo tempo por via da geografia, interna e externa, e da História.

Uma identidade que talvez não precisasse de uma universidade, como não precisou durante quatro séculos e tal, para existir, crescer e afirmar-se mas que, tendo-a, pode estribar-se de modo mais seguro, crescer de modo mais amplo, ganhar, pela consolidação do pensamento e acção, a tal autonomia de que tanto se fala e tanto se quer. Eficaz, efectiva, activa!

Por tudo isso, a insularidade não pode ser considerada um custo, mas apenas e só uma circunstância, inspiradora, até, de atitudes com horizonte largos.

A insularidade é um facto! Só isso!

Mais do que isso a insularidade não pode nem deve ser entendida como factor limitante, tantos são os campos onde, por conta da dimensão, do espalhamento oceânico, dos microclimas variados, das múltiplas circunstâncias locais, tem mais riqueza e variedade por unidade quadrada que muitos outros territórios e comunidades maiores, a que se pode e deve acrescentar uma maravilhosa resiliência que resultará, em grande medida, dessa “leveza” que advém da sua dimensão humana e territorial.

Se considerarmos a insularidade, por momentos que seja, como um custo e um peso, é porque não estamos a fazer a aproximação correcta ao tema nem sabemos honrar a humanidade que somos, entendida como quem dispõe de maior e especial capacidade de se adaptar a climas e a circunstâncias.

Somos ilhéus! É a partir dessa realidade arquipelágica, ligada por um mar que une mais que desune, obrigando, entretanto, a que as suas águas façam parte da “terra” onde vivemos, que podemos e devemos construir o nosso “eu” colectivo.

A Universidade dos Açores, para o ser, de corpo inteiro e no sentido pessoano, tem de assumir essa insularidade açoriana integrando-a na sua tripolaridade e entendendo-a, mais do que essencial, como matricial e individualizadora.

 

 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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