Azores Digital

--> Hoje, dia 16 de Dezembro de 2017

Aos meus colegas anti greve

Segunda, 20 de Novembro de 2017 123 visualizações Partilhar

Não só, outros profissionais também, mas os docentes nos Açores opõem uma grande resistência a tudo o que seja luta. Aquela luta que dói, aquela luta que exige sacrifício, aquela que obriga a mobilização para lá do sofá. Luta mesmo, luta a sério nem por isso, mas disponibilidade para subscrevem petições e abaixo assinados têm para dar e vender, mas não se ficam por aí são, também, grandes ativistas nas redes sociais onde podemos observar a sua dinâmica reivindicativa, nem sempre bem formulada, mas quase sempre, na procura da solução para o seu problema e, quase nunca sem conseguirem olhar para lá do seu umbigo. Qual visão holística, qual quê.

A greve nacional dos professores teve uma adesão que rondou os 90%, e logo pela manhã, desse dia de luta, quando o poder percebeu a dimensão da greve dos educadores e professores veio a terreiro, pela voz de uma Secretária de Estado, abrir uma nesga de possibilidade para entendimentos com os sindicatos dos educadores e professores. Ao fim do dia já com a contabilidade dos números de adesão à greve e com a manifestação dos docentes às portas da Assembleia da República(AR), abriu-se um postigo, O Governo da República agendou reuniões com os sindicatos. A reunião realizou-se e, ao fim de 10 horas de negociações, abriu-se uma porta, foi anunciado um compromisso, Não um acordo, entenda-se. Um compromisso que lança as bases para entendimentos negociados para que as reivindicações dos educadores e professores sejam satisfeitas.

Tudo isto aconteceu no espaço de dias e ficou a dever-se, parece-me que sobre isso ninguém tem dúvidas, à greve nacional de professores, à manifestação às portas da AR, e a outras lutas anunciadas e, entretanto, desconvocadas face ao compromisso assumido pelo Governo da República.

E nos Açores, Bem nos Açores a grande maioria dos docentes, cerca de 90%, optou por não fazer greve, nem aderir às concentrações convocadas, para as 16 horas do dia da greve. Julgo que o Governo Regional pode, assim, concluir que a maioria dos educadores e professores dos Açores estão satisfeitos e, nem sequer terá necessidade de aplicar na Região nada do que os docentes continentais irão beneficiar. Pode o senhor Vice-presidente do Governo Regional ficar descansado que não vai ter de fazer alterações orçamentais em 2018 para reposicionar os docentes porque a maioria dos educadores e professores dos Açores considera justas as medidas de congelamento das carreiras e do tempo de serviço, os horários, a idade da reforma, enfim e outras questões de somenos importância. Eu e mais 10% dos educadores e professores, os que aderimos à greve, Não. Não e continuaremos a lutar por aquilo que é nosso e que nos foi subtraído para financiar do setor financeiro nacional que faliu por atividades especulativas, corrupção ativa, tráfico de influência e outros tráficos. No presente a banca está a apresentar resultados positivos, talvez seja este o tempo de devolverem o dinheiro que nos foi roubado.

É claro que a fraca adesão à greve dos educadores e professores dos Açores não se relaciona com a sua satisfação face à desvalorização profissional a que foram e estão sujeitos. As razões porque não aderiram são de diversa ordem, mas não posso deixar de enumerar algumas que se destacam do conjunto de justificações para terem “furado” a nossa luta.

A primeira justificação e, quiçá a única atendível, Não fiz greve porque sou contra essa forma de luta. Tudo bem colegas, então talvez seja melhor abdicarem de tudo quanto foi conquistado através da greve. E lá se iria o horário de trabalho, os dias de descanso, o vínculo, os subsídios de férias e de Natal, o período de férias pago, etc., etc.

A segunda justificação, estamos a falar dos professores dos Açores, poderá ter sido o argumento que o assunto deve ser resolvido a nível regional. E que sim, estarei disponível para greves regionais. Pois bem na Região imperam os normativos do Orçamento Geral do Estado ou, pelo menos essa é a justificação para que se continuem a manter o congelamento do tempo e das carreiras, logo o melhor é derrotar esse argumento contribuindo para que na República a situação se altere, como parece que vai acontecer face à greve do passado dia 15 de Novembro, ainda que os educadores e professores da Região pouco tenham contribuído para isso. Se existem questões que penalizam apenas um grupo de professores nos Açores, É verdade assim é. E esta questão, ao contrário do que tem sido feito crer, tem sido e foi de novo equacionada na luta e nas concentrações que se realizaram na Região. A posição sindical, pelo menos de um dos sindicatos, é clara, ninguém perderá um dia de serviço para a progressão na carreira, seja esse dia resultante do congelamento ou, de uma qualquer espúria norma transitória. Tudo a seu tempo.

Por fim o ininteligível posicionamento do sindicato reformista que dá pelo acrónimo de SDPA. O Presidente desta organização veio a terreiro desmobilizar os educadores e professores açorianos de uma luta que é comum a todos os docentes portugueses, independentemente da região onde lecionam. Ainda estou para perceber qual será o posicionamento dos educadores e professores que estão associados nesta organização, face a esta decisão do Presidente do SDPA. Se isto não é uma traição à luta dos educadores e professores dos Açores, então não sei o que lhe chame.

A influência do Presidente do SDPA, não dos seus dirigentes e associados note-se, no seio dos docentes açorianos será tanta como a influência que eu tenho junto da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, Nenhuma. Não terá sido pelo que o Presidente do SDPA afirmou, contrariando a sua federação, que a adesão à greve nos Açores foi vergonhosa, mas que serviu para alimentar as esfarrapadas desculpas que os meus colegas costumam utilizar para não fazer greve, Lá isso serviu. E o Presidente do SDPA sabe disso, Oh se sabe.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 19 de Novembro de 2017

www.anibalpires.blogspot.com

 

Colunista:

Aníbal C. Pires

Outros Artigos de Aníbal C. Pires

Mais Artigos