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Sociedade feia, azeda e invejosa

Segunda, 20 de Novembro de 2017 194 visualizações Partilhar

Na nossa sociedade, as pessoas têm cada vez mais dificuldade em viver apenas a sua vida. As redes sociais obrigam-nos a ter atenção aos passos que damos, sob prejuízo de sermos alvos da injúria fácil e do sarcasmo dos nossos amigos virtuais. É a continuação da vida real, para onde são levados os nossos problemas, incertezas, irritações e desesperos.

Em todas as dimensões da vida, hoje, as pessoas estão mais sedentas daquilo que o outro tem. Estão mais vidradas naquilo que o outro faz. Estão mais preocupadas em não ser ultrapassadas, quando deviam estar preocupadas em fazer mais e melhor.

Deduzo que a saciedade só é alcançada, no momento em que o outro fica mal, para nós ficarmos bem.

Prospera, também, a inveja e a necessidade de criar cenários e mexericos. A inveja no trabalho, na política, na amizade, no amor. A inveja que faz surgir o boato e o mexerico, com intenção de deixar mal quem, pelo seu mérito e valor, alcança algo de melhor na sua vida. É mais fácil ter aquele comentário abjeto, digno apenas de trauliteiros e caceteiros, que associam, quando querem, o valor ao favorzinho. Que o há também, só que nem sempre. Numa sociedade torpe e arrogante, quem nada quer e consegue, prefere partir tudo o que se faz ou o que os outros alcançam.

Vivemos num tempo feio e sujo. Os amigos não são amigos verdadeiros, e ao virar da esquina, golpeiam nas costas, quando podem beneficiar algo mais. Vivemos num tempo de invejas e de insultos. De pensamentos angustiantes acerca daqueles que conseguem ser mais do que nós.

Uma sociedade onde, tal como o provérbio árabe diz: até os coelhos são capazes de insultar um leão morto.

 

Colunista:

Emanuel Areias

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