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Preservação do património

Sábado, 30 de Dezembro de 2017 282 visualizações Partilhar

Participei recentemente numa ação de formação, cujo tema era “Preservação do Património da Igreja”, sob a chancela do Instituto Histórico da ilha Terceira. Como formadora estava a conservadora-restauradora Marta Bretão. Esta ação de formação foi não só uma forma de completar o saber sobre esta temática em particular, como um despertar de consciência para a situação problemática do nosso património. Há que salutar a iniciativa e a dedicação da formadora.

Sem entrar em especificidades ou em exemplos concretos, apraz dizer, no entanto, que a preservação do nosso património, seja religioso, seja civil, deve ser uma prioridade. E que esta ação de formação devia ser obrigatória para todos aqueles que são agentes diretos e indiretos na relação com o património.

Outro ponto fundamental é o de que o turismo cultural tem uma base substancial no turismo religioso. Assim sendo, e valendo-nos dos méritos de uma hospitalidade reconhecida, receber bem é preparar a nossa casa devidamente. Isto é, preservar conscientemente o nosso património e divulgar a nossa História.

Não é possível que o património seja constantemente ignorado, quando o turismo tornou-se um alicerce da nossa economia. As igrejas não deviam secundarizar o seu património, ignorando-o ou desvalorizando-o. Nem os párocos deviam ser tão irresponsáveis e despercebidos face a uma realidade tão séria. As intervenções em património religioso devem ser feitas de forma séria, de modo a evitar-se uma deterioração potenciada. Tal como afirma Maria de Fátima Eusébio, no artigo “Fragilidades na conservação e restauro do património da Igreja”, “as intervenções em obras de arte não são passíveis de ser realizadas com amadorismo, ao sabor de gostos pessoais e sem critérios científicos e técnicos”.

Quem limpa as igrejas deve fazê-lo com conhecimento de causa, de maneira a não prejudicarem o património. Quem se responsabiliza pela igreja, deve ter atenção face ao que lá se passa. Como diz a autora mencionada no parágrafo anterior, “a Igreja tem o dever de, no quadro da sua missão evangélica, assegurar a preservação desse património”.

A emergência deste problema – a preservação do nosso património – é séria. Cabe a todos nós termos atenção face a esta circunstância. Exige-se mais fiscalização. Exige-se mais responsabilização.

 

Colunista:

Emanuel Areias

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