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MELHOR GESTÃO DE OPORTUNIDADES PRECISA-SE

Sábado, 06 de Janeiro de 2018 350 visualizações Partilhar

As Lajes são um negócio americano, que se torna português porque os Açores são Portugal, que passa a Açoriano porque é cá que as coisas acontecem, que se torna, finalmente, terceirense, porque é na Terceira que o seu fulcro está instalado.

Nunca foi e não será pelos nossos bonitos olhos, de todos aliás, que a presença americana esteve, está ou estará ali. As Lajes, na sua configuração actual, existem “porque sim!”, durante o tempo que isso interessar a quem edificou aquela infra-estrutura e for conveniente ou aceitável a quem manda nos negócios de Portugal.

O seu carácter temporário sempre esteve diante dos nossos olhos, na letra “T” (de temporary), inscrita em cada edifício, e nas rendas pagas pelos terrenos ocupados e, só depois de muita insistência, comprados.

Mas há mais. Tivéssemos nós olhos acostumados a ver além do horizonte, fechado e enevoado, e teríamos dado por isso, quando inúmeros estabelecimentos dos EUA foram sendo encerrados, pelo mundo fora, mesmo antes de terminada a guerra fria. Continuássemos a olhar e veríamos que, mesmo nos próprios EUA, muitas instalações militares foram, usando a gíria militar, desactivadas, o que significa, na prática, reduzidas a actividade zero, arrastando, com isso variadíssimas comunidades.

Deveríamos ter posto “as barbas de molho”, mas não o fizemos.

Mas existem sortes, mesmo para os mais azarados.

É que foram muitos os milhares e milhares de americanos que passaram pelas Lajes, entre os viajantes, os passantes e os residentes. Muitos estudaram, nasceram, formaram-se, casaram, namoraram, nas Lajes, na Praia da Vitória, na Vila Nova. Muitos vinham a Angra, dormir um fim de semana de hotel, ou jantar à sexta feira à noite.

Basta passear de leve pela internet e percebe-se a quantidade de páginas, blogues, sítios, de gente que por aqui andou, de gente que até se chama Angra ou Terceira. Todas essas pessoas, invariavelmente, guardam boas recordações e muitas, até descendentes que nunca aqui estiveram, serão capazes de cá vir, se tiverem possibilidades e oportunidades.

É aqui que entra a questão em título. Essa gente trabalha, tem horários apertados e férias curtas; essa gente quer vir à Terceira, primeiro, e aos Açores, depois; essa gente gosta de saber, se aqui estiver, que tem a vizinhança, securitária, de um contingente de pessoal seu, mesmo que menor do que antigamente. Se essa gente for desviada por voos para outra ilha, antes de voar para a Terceira, sabe que perde horas e dias, preciosos nas suas curtas férias, e pode acabar por optar em não vir.

Não se trata, aqui, de contestar especialmente a vinda da DELTA para Ponta Delgada, trata-se de perguntar e deixar bem clara a pergunta: porque razão não se aproveita este mercado potencial, que no Verão até terá as outras ilhas do grupo central bem à mão, através da Atlantico Line. Porque razão se confundem mercados, tipologias de clientes, oportunidades diferentes? Porque razão, tendo esta ilha tanta gente tão bem colocada na actual governação, tem de ser um artigo de jornal a lembrar isto?

 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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