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A ATA, IMAGENS DOS AÇORES E RESPEITO PELA COMUNIDADE

Sexta, 30 de Março de 2018 293 visualizações Partilhar

Se há coisa que a gente tem dificuldade em aceitar é que os Açores são desconhecidos de muitos.

Não será bem assim, se falarmos de gente ligada à política e à economia globais. Esses sabem onde é que estas ilhas ficam e avaliam, volta e meia, - muito antes, sequer, de a gente saber disso -, se isto lhes dará algum jeito para o que têm em mente, mas se falarmos com o comum das pessoas o negócio é diferente. Alguns nem sequer sabem bem que tipo de relação temos com Espanha, enquanto país Portugal, quanto mais saberem onde é que estamos, neste meio do Atlântico Norte.

Lembro-me, uma vez, de ter passado por Cork, no sul da Irlanda, e, feliz de poder deixar o pacote de desdobráveis que levava, fui ao posto de turismo. Angra tinha a zona central no Património Mundial, as vinhas do Pico estavam fresquinhas na lista da UNESCO e, caramba, a Irlanda partilha connosco a Corrente Quente do Golfo, razão maior das palmeiras que por ali aparecem.

Quem me atendeu, com simpatia, aliás, sabia onde ficavam “as ilhas portuguesas”, mas ficou por aí!

Todos sabemos que as formas de divulgar os Açores e os lugares onde o fazer merecem cuidado, mas há uma outra parte da questão que parece tender a ficar esquecida ou, se quisermos ser mordazes, que gostam de ver esquecida, porque não é fácil tratar dela: o envolvimento da comunidade habitante.

Os técnicos envolvidos com organizações costumam falar - em inglês, para ser fino - de modelos “top down” e “bottom up”. Resumindo e traduzindo: de cima para baixo e, portanto, uns a mandar e outros a obedecer; ou de baixo para cima e, portanto, tendo em conta as ideias e pontos de vista da comunidade envolvida.

Nos Açores temos exemplos dos dois, embora possam querer afirmar o contrário: a ATA é, claramente, de tendência top down e a ART e os Municípios de Triângulo, assumidamente bottom up.

Venho com isto, aqui, porque houve quem se espantou dos diversos pavilhões na Bolsa de Turismo de Lisboa. Não me admiro disso, mesmo nada.

Sabendo a trabalheira que foi reunir os municípios e câmaras de comércio do grupo central e ocidental, sabendo o esforço que existiu e existe no sentido de envolver todos, no que ao turismo diz respeito, não admira que a pressão, ainda para mais vinda de cima para baixo, no sentido de concentrar tudo debaixo de um só “guarda chuva”, seja imediatamente contrariada por todos quantos se sentem assim envolvidos, a contra gosto, numa forma de actuar muito pouco adequada ao modo de ser destas ilhas.

Talvez valha a pena recordar que, do ponto de vista cultural e comunitário, os destinatários, em turismo como em muitas outras coisas, são tanto os visitantes como os residentes. Talvez mais, até, os residentes!

 

 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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