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PRESERVAÇÃO OU GESTÃO?

Domingo, 27 de Maio de 2018 165 visualizações Partilhar

A questão em título resultou de uma conversa tida, há pouco tempo, em Santa Maria onde, um belo dia, alguém me disse mais ou menos isto:

“Quando se opta pela preservação é porque se deixou cair os braços! É o assumir a derrota da gestão”.

De facto, cada vez mais e relacionada com uma variedade enorme de situações, ouvimos e lemos a palavra preservação. Em boa verdade poderíamos acrescentar a esse termo preservação, outras palavras e conceitos, como sejam o de conservação, salvaguarda, protecção.

Fala-se em preservação da natureza, em protecção de espécies, em salvaguarda de monumentos e sítios e existem dezenas de convenções internacionais, de declarações mundiais, proclamando, recomendando, cuidado para não afectar isto ou aquilo.

Uma simples pesquisa no dicionário mostrará que preservação é um substantivo feminino cujo significado é:

“Acto ou efeito de preservar ou de preservar-se.”

Por sua vez, preservar é um verbo transitivo e pronominal, cujo significado é:

“Pôr ao abrigo (de algum mal); resguardar.”

Olhando bem o termo, é fácil notar que esse conceito tem por base a ideia de retirar para fora do baralho qualquer coisa, procurando que o desenvolvimento posterior, ou que as modificações previstas não afectem o que se quer proteger, salvaguardar, conservar…

E aí é que está o busílis!

O que a tal frase pôs a claro é que qualquer coisa ocupa espaço e existe no tempo, mesmo que seja apenas virtual, pois alguns bits ficarão ocupados, sem dúvida, e até pode parecer uma questão menor, mas não é.

Quando se decide preservar alguma coisa, realmente o que fazemos é criar uma espécie de redoma sobre ela, querendo, com isso, evitar que se perca ou seja destruída, e queremos esquecer que qualquer preservação, protecção ou resguardo tem custos, sejam eles financeiros, económicos, culturais ou ambientais.

Por isso a tal pessoa falou em gestão e eu acrescentaria gestão integrada.

Porque gestão, já agora vamos de novo ao dicionário, é um substantivo feminino, que significa, entre outras coisas:

Utilização racional de recursos em função de um determinado projeto ou de determinados objetivos; Conciliação de opiniões divergentes; consenso.

É aqui que bate o ponto. Povoamos o nosso dia a dia e o território que nos rodeia com tantas zonas e coisas a preservar, a manter, a conservar, a salvaguardar, que nos esquecemos que a melhor salvaguarda de todas, aquela que, com naturalidade, protege e preserva porque necessita, é a utilização racional dos recursos, a conciliação de opiniões, o ter determinados objectivos e torná-los comuns.

Porque a boa gestão integra, em vez de excluir, harmoniza, em vez de separar, coordena em vez de compartimentar, até porque aumenta a resiliência dos sistemas e das comunidades.

 

 

PS.: Resiliência é: Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação. Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.



 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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