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--> Hoje, dia 21 de Outubro de 2018

LUZ E COR, NAS PAREDES E JANELAS

Sábado, 21 de Julho de 2018 146 visualizações Partilhar

Há anos, quando comprei o meu primeiro carro, em segunda mão, criticaram-me porque era branco. Diziam, e com razão, que, numa terra como a nossa, a cor faz diferença quando se trata de pensar na ferrugem.

Recordado da – pouca – física que ainda mantinha lembrada, dos tempos do liceu, foi fácil perceber a razão: um carro de cor clara reflete a energia e é mais frio, um carro de cor mais escura absorve energia e torna-se mais quente, com muito mais facilidade. Em consequência a chapa aquece e seca mais depressa a humidade que anda por aí, sobretudo de inverno ou depois de uma boa chuvada.

Trago o assunto, não por causa dos carros, mas por causa das casas.

A gente gosta de uma cor! Gostos não se discutem, como é habitual reclamar-se, modernamente. Vai daí, bota-se a cor que se escolhe no catálogo e pronto.

Ora, não é bem assim!

Por um lado, as nossas janelas de madeira podem muito bem resistir melhor à humidade, se forem de cor. Vermelhos, amarelas, azuis, rosa, castanho, verde, há fotografias, de meados do século passado, que mostram todas essas cores, em variados tons.

Quem, depois de uma chuvada, quando “abria um olhinho de sol” pusesse a mão na madeira sentia-a a aquecer. Curiosamente essa também é uma temperatura que as térmitas não parecem gostar muito, a ajuizar pela experiência pessoal de convívio e vizinhança, com mais de vinte anos, mas não sou especialista.

Por outro lado, as nossas casas e as suas possíveis cores sempre me chamaram a atenção e a gente percebe, com facilidade, que a maioria das casas era de cor clara, mesmo pelas fotografias antigas, a preto e branco. Sim, porque as cores, nessas fotos, tornam-se em diversos cinzentos, mais ou menos escuros. Quem tiver paciência e vontade dê uma olhadela pelas fotos antigas do nosso casario, na internet, e verá que se confirma o que escrevo: as casas são, quase todas, claras, de barras escuras e com as janelas e portas também escuras.

Voltei a pensar nisto não por uma questão de curiosidade e “amor patrimonial”, mas porque dei por mim a achar que as ruas estavam mais escuras, em alguns casos.

E foi fácil descobrir porquê!

Uma casa, do lado onde bate o sol, que seja pintada de azul-escuro, vai tornar a rua mais escura, agora e, principalmente, de inverno. Se forem várias, entre o azul escuro, o cinzento escuro, o amarelo torrado ou o verde, teremos um bocado menos de reverberação e claridade o que, nos dias cinzentos de inverno, vai mesmo escurecer, bastante, o espaço público, pois a luz do sol será muito menos reflectida.

Por outro lado, ainda, as casas de cor escura absorvem mais calor, que transmitem para dentro, em vez de continuarem mais fresquinhas, durante o verão, evitando tanto ar condicionado.

Acho que este tipo de exercícios devia ser feito mais vezes, não por nós, simples habitantes, mas por quem nos governa, nos constrói as casas ou as caia e pinta. É que antes de er uma questão patrimonial – que também é – estamos a falar de física, de conforto e de poupança de energia.

 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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