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--> Hoje, dia 18 de Setembro de 2018

PORQUE ISTO FAZ BEM À ALMA

Sábado, 18 de Agosto de 2018 162 visualizações Partilhar

Ester é um escrito para os que moram aqui. Quero partilhar, convosco, alguns elogios e palavras bonitas que tenho ouvido, de gente que nos visita, vinda do cabo de lá do mundo, às vezes.

Trago isto, aqui, exactamente pela razão em título. A gente passa tanto tempo da vida a cramar, a lamentar e a zurzir uns nos outros, que acho bom, nem que seja de vez em quando, trazer a terreiro coisas que façam bem à alma.

Não fazem ideia a beleza dos comentários que fazem nem as comparações.

Da multidão que nos visita quase todos referem o cuidado que temos com as estradas, a beleza das hortênsias (já sei que são infestantes, mas são bonitas!) ao longo das estradas. Vários acrescentam o seu espanto e maravilha porque, coitados deles, como eles próprios referem, em muitas das suas terras, para ter uma hortênsiazinha, só se for num vaso, dentro de casa e pequena.

Aqui, pelo contrário, é um florescer e crescer de espantar os olhos.

Quanto aos locais de merenda, pode mesmo dizer-se que eles não se calam. Acham bonita a ideia, bem tratados e cuidados, no geral, e muito bons porque permitem, a quem vai pela estrada, parar, merendar e seguir.

Noutros países, acrescentam, se alguém quer merendar em caminho, tem de o fazer junto à berma, no meio da confusão do trânsito.

Quanto às endémicas é preciso chamar a atenção, de início, mas, depois, são eles próprios que referem ter identificado aqui e acolá, nas bermas e sobras de estrada, mais esta e aquela espécie, esta ou aquela árvore, e, lá voltam, é uma ideia muito interessante, porque misturam, dizem, as espécies locais, que eles desconhecem, com as mais internacionais, que eles reconhecem, e, então, metem-se à procura…

Outra referência é a quantidade de pequenos lugares para tomar banho de mar, com um mínimo de equipamento adequado. Acham lindo, até porque muitos escolheram os Açores exatamente para não estarem no meio da multidão (“se fosse para isso íamos para as Canárias ou as Caraíbas!”, dizem). Gostam de desaparecer no meio da gente e de ir, de lugar em lugar, hoje tomando banho aqui, amanhã acolá (“até porque todos são diferentes, no sítio me no arranjo que deram”).

Espantam-se, e apreciam, o modo como a gente se relaciona com os estranhos, responde a dúvidas, e volta à vida, no que estava a fazer. (“noutras terras e cidades é quase só turistas com turistas, aqui não é assim!”).

Perante este último comentário não resisti a dizer um “por enquanto!”, mas acredito que, se quisermos, podemos continuar a partilhar o paraíso em que vivemos, sem o deixar perder.

Basta continuar a procurar, no mercado mundial que é o nosso, gente que goste do que nós gostamos. É que é muito mais fácil partilhar assim.

Convém nunca esquecer que, porque são ilhas e porque são os Açores, no meio do Atlântico e com a tal “posição estratégica” que gostamos de apregoar, somos uma terra onde o viver inclusivo e a partilha têm de ser, mais que um cartaz, um modo de ser e de viver, por acaso moderno, mas o nosso, há mais de quinhentos anos.

 

 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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