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A HORA DAS VACAS E DOS GALOS

Sábado, 01 de Setembro de 2018 296 visualizações Partilhar

Parece que a Comissão Europeia está a pensar decidir sobre isto de haver hora de Verão e de Inverno, acabando com a mudança de hora legal duas vezes por ano, depois de uma consulta aos cidadãos europeus.

Primeiro achei interessante que acontecesse esta consulta, agora. Algo de semelhante já tinha acontecido no século passado, mas, então, em vez de perguntarem ao “povo”, tinham consultado os governos. Se, agora, a reposta maioritária foi que queriam acabar com a dança das horas, na época de então a opinião dos governos fora ao contrário. Entendiam que a mudança de hora favorecia a economia da União…. Enfim, opiniões diferentes de gente diferente.

Devo dizer que também participei e sou favorável a acabarem com a dança. Só que me cheira que a solução vai ser ao contrário do que eu queria, pois prefiro, claramente, a chamada hora de Verão. Trabalho o que tenho de trabalhar e tenho tempo para dedicar a mim, à família, aos amigos, às minhas coisas, depois disso, antes de vir o escuro da noite.

Eis que li exactamente isso num artigo de opinião, onde se afirmava que “o que os portugueses querem é a hora de Verão!”. Se esse entendimento pode parecer válido para quem more no continente, aqui, para os Açores, ainda mais é. Descobri isso quando fui a uma aplicaçãozinha, bem engraçada, na Internet, ( https://relojesdesol.info/node/748 ) que, se o nosso computador estiver bem configurado, diz todas as horas deste e do outro mundo.

De facto, a gente anda um bocado com “a candeia às avessas” e são grandes, muitas vezes, as diferenças entre o que o Sol diz e o que o relógio manda.

Lembrei-me, então, de uma época em que, nos Açores, se decidiu que a hora legal seria a mesma de Lisboa. O resultado foi uma trabuzana tremenda, os galos nem dormiam, as vacas recusavam-se a dar leite tão cedo, os estaleiros de obras deixaram de abrir às 7:30 ou às 8 horas e mudaram para as 9 horas, enfim, o relógio podia dizer o que queriam, mas o Sol levantava-se, à mesma, como era costume…

Tudo ou quase tudo o que dependia da luz do dia atrasou o início e os outros andavam cheios de sono, pois a biologia não se compadecia com essa legalidade forçada. A tentativa durou poucos meses e, entretanto, aprendi que o nascer do Sol, em Santa Maria, acontece cerca de 20 minutos antes que no Corvo. Vá lá!

Francamente, não percebo porque temos tanto a mania de querer tudo muito juntinho e com as mesmas horas, quando economias como a americana têm quatro fusos horários e eles desenrascam-se perfeitamente, aproveitando, até, esse facto, para melhorar o desempenho.

Cereja no bolo, para o turismo seria voltarmos a ter duas horas de diferença de Lisboa. Já imaginaram o que é uma pessoa partir para férias, no continente europeu, e chegar cá quase à mesma hora, depois de um voo de duas horas? A isso é que se podia chamar ter férias sem descontos!

Post Scriptum: na década de 70, nos inícios dos voos para as Lajes, da TAP, ainda a diferença era de duas horas, aconteceu-me, algumas vezes. sair de Lisboa às 11:50 e chegar cá às 11:45! Não é nada que já não tenha acontecido.

 

Colunista:

Ângela Mateus

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