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De novo, apenas a liderança

Segunda, 01 de Outubro de 2018 82 visualizações Partilhar

O PSD Açores tem um novo Presidente. Não tinha nenhum prognóstico, logo não fui surpreendido pelo resultado, nem a minha opinião interessaria aos militantes do PSD, aliás mais do que a personalidade que vai assegurar a liderança do PSD Açores, julgo que não será por muito tempo não por qualquer demérito do Alexandre Gaudêncio, mas pela natureza depredadora de lideranças que é intrínseca ao PSD, mas como dizia mais do que saber quem lidera interessa-me conhecer o seu projeto político, o projeto do PSD, não do líder, afinal o PSD já governou na Região e na República, alternando com o PS, e, como tal, tenho interesse em perceber o que vai mudar, se é que alguma coisa vai mudar. Aguardo pelo congresso do PSD Açores para, então sim, conhecer como os “sociais democratas” açorianos avaliam a atual situação política, social, cultural e económica da Região, a que se propõem para resolver as questões que identificarem e, sobretudo, o que os pode diferenciar do seu gémeo político sem “D”, o PS.

Há, contudo, alguns aspetos que sendo exclusivamente da vida interna do PSD, vão alimentar as conversas de corredor, de café, da soleira da porta, ou para quem prefere o sossego do sofá e a interação virtual, muitas vezes sobre a capa anonimato garantido por falsos perfis e pouca coragem, opta pelas publicações e comentários nas redes sociais, é mais cómodo e, sobretudo, um exercício espúrio que pouco, ou nada, se assemelha ao exercício da cidadania e da participação cívica e política, sem o recurso a subterfúgios, a que todos temos direito e que temos o dever de exercer.

Alguns desses temas marginais já começaram a ser objeto de alguma especulação e vão aprofundar-se mantendo a turba entretida e esperançada de que este, aquele e o outro militante, pela aposta no candidato errado, tendo garantido compromissos para o seu futuro político próximo, seja banido e os seus interesses colocados em causa pela nova liderança. Ou seja, reduzindo a construção de um projeto político a, como já disse, assuntos marginais centrados em pessoas e quezílias pessoais.

Transformar e aceitar tranquilamente que, qualquer que seja a organização partidária, a discussão “política” se resuma à dança de cadeiras e cargos partidários tem sido prática que alimenta a agenda mediática e popular. Enquanto isso o essencial vai passando ao lado de quem perde tempo e reduz a discussão, apenas e só, a estas questões que, sejamos pragmáticos, nada acrescentam aos projetos políticos. Não quero, não é essa a ideia, retirar a importância que as personalidades têm nas organizações, sejam elas partidárias ou não.

As caraterísticas e contributos individuais são importantes se potenciadas para a construção de projetos coletivos, no caso dos projetos de índole política existem ainda outros fatores, alguns deles exógenos às organizações partidárias, mas que integram a sua natureza orgânica e ideológica que contribuem para a construção dos seus projetos políticos que, bem vistas as coisas, pouco mudam a não ser no “upgrade” semântico. Mas ainda quanto à importância das personalidades que lideram as organizações. Há quem consiga ser mobilizador e juntar vontades e há quem, de todo, não o seja. Depende da personalidade, mas a mobilização e a agregação de apoios fazem-se, ou deviam fazer-se, à volta de projetos. Isto se cada um de nós quiser contribuir para o interesse público, independentemente dos caminhos que consideramos ser mais acertados para o servir. Se a ideia é retirar dividendos pessoais então que se discutam as personalidades que lideram e as que aclamam o líder.

A realização de eleições para as lideranças partidárias, fora do contexto do congresso, retira à realização da reunião magna partidária grande parte do seu objetivo e reduz a importância dos projetos dos seus projetos políticos. Dirão os eleitores que esta minha opinião se deve à minha opção ideológica e à natureza do partido onde milito, Sem dúvida. Mas esta opinião é partilhada por um número crescente de militantes de partidos que optaram pela eleição direta dos seus líderes, o que não deixa de ser interessante e deveria ser motivo de reflexão interna nos partidos em que a prática é essa.

Aníbal C. Pires,
Ponta Delgada, 30 de Setembro de 2018

 

Colunista:

Aníbal C. Pires

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