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--> Hoje, dia 23 de Abril de 2019

O LUGAR ONDE MORAMOS 2

Sábado, 13 de Abril de 2019 58 visualizações Partilhar

Há quinze dias tratei este tema do ponto de vista interno, digamos assim.

Recordando alguns aspectos, acho que não ligamos à importância que tem morarmos em ruas interligadas com outras e com horizontes largos, se temos o mar em frente ou não, se habitamos numa fajã ou no cimo de uma encosta... com árvores ou não.

Depois - e acho que também não ligamos muito a isso - o modo como as casas se relacionam, umas com as outras, o seu número e colocação no espaço envolvente, moldam o nosso pensamento, desde crianças.

Não ligamos a nada disso, a menos que nos chamem a atenção, o que quer dizer que apenas os técnicos, nomeadamente os envolvidos nas questões do espaço e das suas relações, seja físico seja virtual, têm consciência de tudo isto e podem manipular tudo isto, criando-se mundos estranhos, em que as pessoas acreditam piamente, como o FaceBook ou outros.

Hoje em dia visita-se a Califórnia sem sair de casa, por exemplo, e até podemos conversar com alguém, em tempo real, que more em França ou na Islândia.

Pode haver vantagens e desvantagens, claro. Mas isso forma e deforma o nosso pensamento, para o bem e para o mal. Dá-nos, ou não, armas para enfrentar e perceber o mundo, que nos nos rodeia.

Lembro-me da primeira vez que visitei São Miguel e da estranha sensação de distância que tenho, cada vez que vou às Flores ou ao Corvo.

Em São Miguel estranhei ver Santa Maria, tão pequena e tão longe, a mim que, todos os dias, tenho São Jorge, o Pico ou a Graciosa, à distância de um olhar e compondo uma paisagem cheia de planos intermédios.

Nas Flores e no Corvo, por outro lado, não foi a pequenês das ilhas, mas a distância de todo o resto do que chamamos, desde há séculos, os Açores. Morar ali, viver ali, implica, quase desde início, a ideia de que “temos de saber tratar de nós”, ainda que se peça ajuda.

Finalmente, há algo que muita gente se esquece, sobretudo com implicações, brutais, no dia a dia e na construção de cada amanhã, que é esta afirmação inconscientemente implantado em todos nós: “ou a ilha ou o mundo!”

De facto, seja para estudar, seja para trabalhar, seja para ir de uma ilha a outra - e isso apenas fica mais forte quando temos de usar o avião, de modo igual para todos esses lugares - é assim que acontece.

Bom! Mas o que eu queria hoje deixar aqui é o outro lado de tudo isso!

Seja cada ilha sejam os Açores, no seu conjunto, formam um caso que, cada vez, me parece mais raro no Planeta. O mundo e, sobretudo as suas modificações de humor, seja em economia seja na paz ou na guerra e, obviamente, na cultura, insiste em passar por aqui, de um modo que poucos ou quase nenhuns outros lugares conhecem.

Aquilo a que chamamos a nossa história é, quase toda, a história dos outros, a passar por aqui e a misturar-nos na embrulhada do momento, queiramos ou não e não temos mão, grande ou forte, para o controlar. Talvez e apenas para tirar partido, conforme as circunstâncias.

 

Temos de falar disso, trocar impressões sobre tudo isso. Ensiná-lo uns aos outros! Perceber até que ponto a nossa cultura, economia, vivências e modos de ver o mundo, resulta daqui.

Desde os políticos às conversas de café, às escolas e passando, obviamente, pela comunicação social, temos de saber manter os olhos abertos para este Mundo!Todo!

É esse o lugar onde moramos!

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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