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OS PRIMEIROS TURISTAS TEMOS DE SER NÓS

Segunda, 13 de Maio de 2019 52 visualizações Partilhar

Desde que, há muitos anos, algumas pessoas mais endinheiradas começaram a fazer “tours”, ou seja, a dar voltinhas por esse mundo fora, que as questões do mercado, do cliente, do objecto ou coisa a mostrar, se colocam, quando se fala de turismo.

Direi, também, que a questão da divisão entre as coisas que são para “eles” e as coisas que são para “nós” também se começou a colocar, criando um afastamento que me parece lamentável e muitíssimo errado, do meu ponto de vista.Principal e especialmente em terras como estas, em ilhas como as nossas!

Nós moramos aqui, vivemos aqui. Se não formos nós a proteger o lugar onde moramos quem o fará?

Será que alguém acredita que bastam leis de protecção para que o que entendemos por herança cultural, factores de identidade e cultura, objectos, edifícios, lugares, paisagens, territórios, fiquem salvaguardados?

Será, sequer, que a ideia de salvaguarda é a melhor forma de proteger todas essas coisas que cabem no cesto a que chamamos património?

Escrevo isto porque não podemos, nem sequer devemos, imaginar que a protecção é forma segura. A continuar assim, um belo dia estamos todos a morar num desses nossos ilhéus, porque toda a terra das ilhas está protegida, salvaguardada, bloqueada, impedida, fechada, porque há uma qualquer convenção internacional, disto ou daquilo, que nos obriga a ir mais para o lado, até que ficamos junto ao calhau do mar ou num dos tais ilhéus. Se calhar não em todos porque, alguns, vários, até, também são objecto de alguma forma de protecção e salvaguarda.

Quando isso se passa, o resultado é as autoridades empurrarem com a barriga e fazerem orelhas moucas. O resultado é as coisas irem ficando em ruínas ou desaparecerem.

Numa terra como estas nossas ilhas, simplesmente não há dimensão para se querer separar os que cá moram, quase sempre, dos que cá moram uns dias apenas. Temos de ser inclusivos!

Temos de conhecer bem a terra onde moramos, temos de saber valorizar o que há por aqui, nunca numa perspectiva de que o mundo é só cá, mas numa perspectiva de enquadramento, que nos torne sabedores do lugar que esta terra e as suas coisas ocupam nas relações com o resto do mundo.

As políticas de divulgação, de explicação, de apresentação, de conservação, uso ou transformação, têm de ter em atenção que, quem anda por aí, tanto pode ser o vizinho da rua de cima ou da ilha em frente, como pode ser um casal vindo da Polónia ou do Chile, e essa gente encontra-se, fala-se, troca ideias, mesmo que fale pouco a outra língua.

O que pretendo é, novamente, trazer a terreiro a necessidade, urgente, de se reunir esforços, da área da cultura, da área do ambiente, da área do turismo, a da área do desporto, das áreas das florestas e das pescas, para tornar verdade o que está em título.

Quando todos, os que cá moramos, formos turistas conhecedores e apreciadores desta terra, ela estará naturalmente salvaguardada, protegida, valorizada, aberta a opções de futuro sustentado.

 

Colunista:

Francisco Maduro - Dias

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