So muitos os caminhos que podemos escolher para o futuro. A direco que tommos at ao presente tem sido caracterizada pela ambio do egosmo humano, do desprezo pelo estudo das consequncias dos actos humanos e por uma enorme pressa em atingir ganhos materiais. H outros caminhos que podemos tomar. Caminhos que nos obrigam a olhar com maior sensibilidade para o ambiente, que nos levam a usar os recursos do planeta como finitos e o ambiente como um bem que no tem a capacidade ilimitada de absorver os danos que lhe causamos.
Este texto, da autoria de Jim Falk, faz, para alm duma crtica s atitudes que tm vindo a ser tomadas, um apelo para a necessidade de mudana de comportamentos e atitudes em relao ao ambiente.
Apesar do ambiente j no ser propriamente uma questo recente, ainda muito frequente no se saber a quem cabe a responsabilidade dos actos que conduzem sua degradao. frequente assistir-se indignao por parte de muitos cidados, ao ouvirem falar de empresas ou pessoas que, no exercer da sua actividade, desenvolvem aces que contribuem para a degradao do ambiente, no entanto, continuam a usufruir dos seus produtos. Este aspecto prende-se com a ideia de que estas questes dizem sempre respeito aos outros. Antes de olharmos com maior sensibilidade para o ambiente, devemos consciencializar-nos sobre o nosso papel na sua degradao, para que possamos contribuir para a sua preservao.
As questes ambientais no dizem apenas respeito a quem tem capacidade de decidir, pois as decises tomam-se em funo das exigncias. Se os Governos so responsveis por definir polticas e planos que no comprometam a salvaguarda dos recursos naturais, todos ns somos responsveis pela participao activa nestas questes.
Ao longo dos ltimos anos tm sido desenvolvidas na regio iniciativas no sentido de resolver ou atenuar os problemas ambientais que foram criados por ns. Apesar disso, estas iniciativas tm-se desenvolvido de um forma muito lenta, desigualmente repartida, mas essencialmente com resultados pouco satisfatrios. Tem-se apostado nas medidas curativas, mas muito pouco nas medidas preventivas.
Olhemos por exemplo para a questo dos resduos slidos. S pelo simples facto de vivermos em ilhas, com as limitaes de espao e a vulnerabilidade dos recursos que lhes esto associadas, esta questo merece especial destaque. Se perguntarmos o que tem sido feito nesta rea, obteremos como resposta que algumas ilhas j possuem aterro sanitrio e outras, iro possuir em breve. Sem dvida que representa uma medida de gesto de resduos, mas apenas dos urbanos. E os restantes, como os leos usados, pneus, sucata, entulho, ...? E a preveno? Tem-se apostado na consciencializao dos cidados para os problemas ambientais inerentes produo de resduos? Tem-se apelado sua reduo? Tm-se perspectivado medidas para o controle das deposies ilegais de resduos, to comuns nas ilhas dos Aores? Estes aspectos tambm dizem respeito questo dos resduos, mas no entanto, so muitas vezes descurados ou esquecidos.
Tem-se falado que a Educao para o Ambiente j uma prioridade e que j faz parte do sistema educativo, integrando os currculos escolares. No entanto, no se efectua uma avaliao das aces desenvolvidas, ou seja, da verificao de aplicao, na prtica, das matrias pedaggicas. E, compete apenas s escolas a educao dos nossos educandos? preciso apostar na educao do jovens, mas preciso no esquecer o papel dos restantes grupos etrios.
preciso desenvolver iniciativas, definir programas, implementar projectos, efectuar monitorizaes e avaliaes. Vamos exigi-lo a quem compete.
necessrio sermos cidados conscientes e activos, dignos de um ambiente sinnimo de qualidade de vida. Vamos cumprir o nosso dever.
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