Santa Comba Dão foi esta semana noticiada pelos piores motivos. Os resistentes anti fascistas preparam para dia 3 de Março um debate na nossa terra e o arranque de um abaixo-assinado contra uma das bandeiras da Câmara Municipal: o museu do Estado Novo.
Penso que tal movimento está coberto de razão ao insurgir-se contra a tentativa de branqueamento de uma época bastante cinzenta da história de Portugal: o tempo da ditadura, das perseguições, da tortura, dos julgamentos falseados. Na verdade, a criação de tal museu terá como resultado criar uma organização centrada na propaganda da ditadura fascista em total conflito com a nossa Constituição e afrontando todos os portugueses que se identificam com a luta e a mensagem de Abril.
Parece que a falta de bom senso quer fazer com que se escreva a ouro uma das páginas mais sangrentas da nossa história recente. Se o objectivo é apenas recuperar a casa, para quê o carro ou o estojo de barba da “velha senhora”? E mais, o executivo camarário prepara-se para pagar €2.000 mensais, isso mesmo 400 contos, ao sobrinho de Salazar para este senhor fazer parte da gestão do museu, salário esse pago com o dinheiro dos nossos impostos. Numa palavra: um escândalo.
Espero ver o Partido Socialista de Santa Comba Dão empenhado nesta causa e em combater tal disparatada ideia. É que, socialista que se preze, a única coisa que quer do estado novo é distância!!!
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