Hoje dirigi-me aos caros leitores de um local verdadeiramente emblemático. Na verdade estou a escrever este artigo à mesa do bar mais conhecido do mundo, o Peter Café Sport, na bela cidade da Horta, na Ilha do Faial (Açores).
Com efeito, aproveitei umas merecidas férias repartindo-as entre S. Miguel e o Faial, pois que as comemorações dos 50 da erupção do vulcão dos chapelinhos merecem uma visita.
Também a cidade da Horta merece uma visita, designadamente a sua inesquecível marina, toda ela colorida e pintada pelos milhares de velejadores que, ao atravessarem o atlântico ali encontram um porto de abrigo. Confesso que, quando cheguei ao Faial, o primeiro lugar onde entrei foi precisamente no Peter Café, o bar mais conhecido do mundo.
A vontade que tive foi a de ficar ali, durante horas a absorver as coisas que ali acontecem. O que se bebe, o que se come, as pessoas que entram e saem, as conversas em todas as línguas...é um lugar onde a gente se sente muito bem.
O gim é maravilhoso. E todo o ambiente faz com que a gente se sinta em casa. Neste bar estiveram pessoas como Mário Soares, Cavaco Silva, o Presidente Kennedy, a Amália ou o Papa João Paulo II. Não é fácil descrever os Açores, tal é a sua beleza. Não é fácil descrever o povo açoriano, tal é a sua autenticidade. Contudo encontrem na loja de lembranças do Peter Café um postal, escrito pelo próprio José Azevedo (dono de tal bar), que descreve bem esta gente e esta terra. Na verdade, tal descrição é perfeita, não fosse ela escrita pelo mais ilustre e conhecido açoriano. E reza assim: "Vivem em nove ilhas no meio do Oceano Atlântico. Dizem ser o centro do Mundo, os últimos picos da Atlântida – o continente perdido, a terra de Neptuno. Falam de forma diferente. Cozinham a comida em buracos na terra, com o calor dos vulcões. Fazem jogos com touros e perdem quase sempre. Nadam com golfinhos. Mergulham com baleias que antes caçavam em pequenos barcos e depois gravavam-lhe os dentes. Há 500 anos que resistem a tremores de terra, a tempestades com ventos de 250km por hora, a ondas do mar com 20 metros. Pescam os maiores peixes do mundo – espadartes e atuns. Dividem os terrenos com flores, principalmente hortênsias. Criam vacas e chamam-nas pelo nome próprio. Comem comida temperada com especiarias vindas das índias, Africas e Américas. Festejam o "Espírito Santo" que dizem ser o seu "Senhor". Usam uma ave – milhafre como seu símbolo mas chamam-se Açorianos. São uns estranhos e simpáticos loucos."
|