Crónicas de Lá e de Cá
A UE é hoje um bloco geopolítico com uma dimensão considerável, tendo os seus recentes alargamentos solidificado a sua posição no mundo.
No entanto, existe uma ameaça subjacente à prosperidade europeia: o envelhecimento da sua população. Segundo o historiador inglês Arnold J. Toynbee, "as civilizações morrem de suicídio e não de assassínio" sendo este o verdadeiro desafio da EU para o século XXI, a par com o das alterações climáticas.
A diminuição da taxa de natalidade por toda a Europa e principalmente em Portugal (que já apresenta uma das taxas mais baixas), acaba por alterar o funcionamento do mercado de trabalho, dos sistemas de saúde e dos regimes de reforma nos Estados-Membros.
A principal causa deste fenómeno encontra-se na própria prosperidade europeia que levou nas últimas décadas a uma profunda alteração dos padrões de vida que influenciam a composição familiar.
Mas, apesar destes fenómenos de envelhecimento já serem previsíveis há várias décadas, medidas eficazes por parte dos governos têm tardado ou têm-se mostrado ineficazes.
Na UE as mulheres têm, em média, 1,52 filhos, número inferior aos 2,1 filhos necessários para a manutenção da população. Esta redução da taxa de fertilidade levou a um aumento significativo da percentagem de pessoas idosas financeiramente dependentes da população activa. Estas alterações demográficas ameaçam, por consequência, o dinamismo económico, a criatividade e a inovação e poderão levar a uma quebra de 1.2% no crescimento do PIB europeu entre 2031 e 2050.
Há 100 anos a população europeia correspondia a 15% da população mundial, mas as projecções para 2050 indicam que não passará de 5%, contrastando esta regressão com o rápido aumento demográfico dos países em desenvolvimento, responsáveis por 95% do crescimento populacional global.
Novas realidades têm também surgido, como a mudança dos padrões demográficos em algumas regiões do globo, indicando as projecções para as próximas décadas em países emergentes como a China, o Brasil e grande parte da América Latina, um envelhecimento considerável da sua população.
Por outro lado, o continente africano continuará a ver a sua população crescer significativamente, o que, aliado à pobreza crónica, à progressão de doenças infecciosas e aos impactos das alterações climáticas, acabará por constituir uma bomba-relógio, bem às portas da UE.
Entretanto, José Sócrates veio apresentar um pacote de medidas para fomentar a natalidade em Portugal que considero estar bem aquém das nossas necessidades. De facto, face à crise económica e à falta de perspectiva e de esperança da maioria dos portugueses, estas medidas acabam por ser meras intervenções de retórica com objectivos essencialmente mediáticos. Assim não vamos lá.
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