Hoje vivemos momentos difíceis. Por muita cosmética que se tente colocar para disfarçar o assunto, a crise da democracia portuguesa é um dado adquirido. A economia sufoca-nos com impostos. Os combustíveis não param a escalada de preços. Os cereais não param de subir. O desemprego chegou a níveis assustadores. As empresas fecham às centenas. O estado é o pior empregador, prova disso é o caso dos enfermeiros. Os salários são miseráveis. As reformas deprimentemente baixas. Os nossos licenciados acabam em caixas de supermercados.
A saúde concentra-se apenas nas grandes cidades. As escolas do interior já estão encerradas e dotadas ao abandono. A educação está como está. A justiça está pelas ruas da amargura. Ninguém paga a ninguém. Quem quer ver realizado um credito, tem que pagar incompreensíveis taxas, para quem sabe, um dia, poder recuperar tal quantia. Há um sentimento de impunidade. O crime violento, tipo de filme americano é uma realidade.
Pior que tudo isto é que não há esperança no futuro. O Governo é contestado mas, como bem disse Luís Filipe Meneses, o PSD ainda não merece ser governo, havendo neste momento uma vazio politico difícil de preencher. As câmaras deitam dinheiro à rua tantas vezes em obras desnecessárias. A corrupção corrói o sistema democrático, contando-se pelos dedos as condenações pela prática de tal crime. O pequeno comércio acabou.
As pequenas cidades, como a nossa, têm sofrido uma elevada redução de transeuntes, mais parecendo cidades fantasmas. Confesso que estou a ficar deveras preocupado. Reza a história que foram situações destas que deram origem a muitas ditaduras.
Além disso, Portugal neste momento faz-me lembrar os últimos tempos da Monarquia no início do Séc. XX: o povo vive na miséria enquanto os políticos vivem num mundo de luxo, de passadeiras vermelhas e veículos topo de gama. O futuro a Deus pertence. Mas uma coisa também é certa: demonstra a história que os regimes, sejam eles Repúblicas, Ditaduras ou Monarquias não são eternos.
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