O líder parlamentar do PSD/Açores considerou hoje "graves", os dados do Tribunal de Contas (TC), sobre a auditoria às deslocações e ajudas de custo dos gabinetes dos membros do governo regional em 2010, frisando que os mesmos "mostram bem o estado a que chegou a governação dos Açores, e revelam um sentimento de impunidade dos seus governantes. Exige-se a denúncia pública à responsabilização desses mesmos elementos do governo", referiu.
Duarte Freitas falava numa conferência de imprensa, na Horta, onde lamentou que "dezasseis anos depois de chegar ao poder na Região, o PS tenha perdido o pudor e o respeito pelos dinheiros dos açorianos. Afinal, a forma como os gabinetes do presidente e demais membros do governo gastaram mais de 600 mil euros em deslocações, alojamentos e ajudas de custo, demonstra que este governo regional utiliza os meios públicos como se fossem pessoais", sublinhou.
O social-democrata acentuou que "chegámos ao ponto em que membros do governo recebem milhares de euros de ajudas de custo por estarem, alegadamente, deslocados na sua ilha de residência. E, pior ainda, chegámos ao ponto em que 14% dessas deslocações e ajudas de custo são verbas destinadas ao plano de investimentos. Isto é, o governo deixa de investir aquilo que previra para o desenvolvimento dos Açores, para esbanjar sem controlo nem rigor, conforme manifesta o TC", explicou.
"Tudo isto, para além de tristes episódios menores, que revelam o entendimento que aqueles responsáveis têm do exercício de funções públicas", acrescentou Duarte Freitas, para quem, "com tudo isto, os membros do governo regional e este PS revelam que, com o passar do tempo, adquiriram um sentimento de impunidade tal que lhes permite fazer tudo o que lhes apetece e não aquilo que é devido".
Segundo o líder da bancada do PSD na assembleia regional, o que TC descobriu e demonstrou "já havia sido suscitado pelo PSD, no passado mês de Fevereiro, quando, através de requerimento, solicitamos informações ao governo regional sobre os gastos em ajudas de custo de membros da tutela e dos respetivos gabinetes. Passados quatro meses, o governo regional nunca respondeu ao PSD, escondendo aquilo que agora o TC revelou", afirma.
"Esta é umas das marcas que este governo regional deixa do seu modo de governar e de usar os recursos financeiros dos açorianos. Uma marca que o PS quer fazer perdurar no tempo, quando apresenta como candidato a presidente do governo alguém que, durante 16 anos, sustentou este estilo e estes métodos de governação, enquanto deputado e líder parlamentar. E fez parte de um governo que tem este tipo de atitudes de desrespeito para com as pessoas", disse Duarte Freitas.
"O PSD assume a necessidade de regenerar a ação dos políticos e acabar, de uma vez por todas, com essas práticas e posturas", lembrou o deputado, que manifestou "a nossa mais veemente oposição a esta forma de governar e de usar os dinheiros públicos. Pelo que assumimos o compromisso de fazer diferente e de assumir as responsabilidades governativas como oportunidade para dar oportunidades de desenvolvimento e realização a todas as ilhas e a todos os açorianos", disse.
"Ao contrário do que revela este governo do PS, e que agora ficou mais uma vez demonstrado no relatório do Tribunal de Contas, os governos não são propriedade de nenhum político ou de qualquer grupo de políticos. São, sim, dos cidadãos que contribuem com os seus impostos e trabalho para a construção da sociedade. E isso o PSD sabe e vai respeitar sempre", concluiu Duarte Freitas. JOSÉ GARCIA |