O Escritor e Gastrónomo terceirense Augusto Gomes vai ser homenageado na Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, na próxima Segunda-feira, dia 6 de Maio, com uma cerimónia de Apresentação e Lançamento da sua obra Cozinha Tradicional da Ilha Terceira, um Concerto e uma Exposição Etnográfica.
Esta Sessão Cultural, a decorrer no Salão Nobre e no Átrio Superior dos Paços do Concelho de Angra do Heroísmo, terá início pelas 20H00 e começará com uma Conferência, pelo Dr. Eduardo Ferraz da Rosa, sobre a Vida e a Obra de Augusto Gomes (com especial referência para a 5ª. edição do seu livro Cozinha Tradicional da Ilha Terceira, que será lançado na ocasião).
Após a Apresentação desta nova tiragem (3.000 exemplares) daquela obra, seguir-se-á um Concerto de Guitarra Clássica (com Vítor Castro) e a Abertura da uma Mostra Regional (a cargo do Centro Gastronómico e Etnográfico da Quinta do Martelo).
A Cozinha Tradicional da Ilha Terceira, que é agora reeditada pela Tabacaria Angra, Lda. - firma detentora de 3 Lojas de Venda e Distribuição de Publicações Periódicas que inicia assim, com esta nova iniciativa, uma actividade editorial própria -, tem constituído um verdadeiro best-seller açoriano do Gastrónomo Augusto Gomes.
Nascido em Angra do Heroísmo, a 6 de Maio de 1621 - pelo que no dia da anunciada Sessão Cultural ser-lhe-á ainda prestada uma homenagem comemorativa da passagem do seu 81º. Aniversário Natalício -, Augusto Gomes é também Escritor, Investigador, Contista, Jornalista e Autor consagrado de muitas outras publicações especializadas na área da Culinária, da História e da Etnografia das Ilhas dos Açores.
- Tendo frequentado a antiga Escola Madeira Pinto (Angra do Heroísmo), completaria os seus estudos com o Curso Comercial da antiga Escola António Augusto de Aguiar, no Funchal, em 1940. Várias vezes premiado em Concursos Literários, de Contos e em Jogos Florais, Augusto Gomes tem sido também assíduo colaborador da Imprensa, da Rádio e Televisão Açorianas.
Homem de Teatro, escreveu, ensaiou e interpretou as Revistas Alagado pingando, Em mangas de camisa, Talvez te enganes e Faz-me cócegas, tendo também ensaiado e desempenhado o papel principal (“Ti Cândido”) na Opereta Glória ao Divino (1959) de Frederico Lopes, e interpretado a figura de Frei João da Ribeira no Auto Ao mar... (1960) de Coelho de Sousa. Escreveu ainda e ensaiou a Opereta Regional Amor Campestre, levada à cena pelo Grupo Teatral do Posto Santo.
Entre outras, Augusto Gomes é também autor das seguintes obras, muitas delas esgotadas ou com edições sucessivas:
- Cozinha Tradicional de S. Miguel, Prefácio de Silveira Paiva, Angra do Heroísmo, 1988; Cozinha Tradicional de Santa Maria, Prefácio de Maria da Conceição Bettencourt Medeiros, Angra do Heroísmo, 1998; O Peixe na Cozinha Açoriana e Outras Coisas Mais, Prefácio de João Vieira Gomes, Angra do Heroísmo, 2001; Perdoe pelo Amor de Deus, Prefácio de Manuel Coelho de Sousa, Angra do Heroísmo, 1981; Alma da nossa Gente, Prefácio de Jorge Forjaz, Angra do Heroísmo, 1993; Teatro Angrense, Elementos para a sua História, Prefácio de Joaquim Ponte, Angra do Heroísmo, 1993; Filósofos da Rua, Introdução de Sérgio Ávila, Prefácio de Luísa Brasil, Angra do Heroísmo, 1999, e Danças de Entrudo nos Açores, Prefácio de Eduardo Ferraz da Rosa, Angra do Heroísmo, 1999.
No seu Estudo Introdutório a um dos últimos livros de Augusto Gomes, o Investigador e Ensaísta Dr. Eduardo Ferraz da Rosa escreveu assim:
- “Se em Filósofos da Rua bem diversificada e exemplarmente revelou Augusto Gomes o seu pendor evocativo de Contista e Cronista [...], já em A Alma da nossa Gente os usos, costumes, festas, ritos, utensílios, artefactos, devoções, hábitos, crenças, valores, etc., do Povo da Ilha Terceira [...], reaparecem à evidência possível de e para uma visão maravilhada das nossas tradições mais ancestrais.
“ Naquilo que traduzem, assumidamente entre modelos realistas e ficcionados, das tessituras humanas, socio-históricas e de muitas das topografias referenciais, concretas e imaginárias da Ilha Terceira e da Cidade de Angra do Heroísmo, os livros e os registos coloquiais directos de Augusto Gomes preservam com dignidade um estilo de discurso e de memória locais, marcando e reflectindo uma época, uma linguagem geracional, uma gramática social e uma paisagem poética internamente coerentes.
“E depois, por todo o conjunto desse articulado e complementar labor de criação, investigação e conteúdo de arquivo patrimonial antropológico, as obras deste terceirense [...] deixam palpitar e entretecer, exactamente pelos tempos e espaços acima e abaixo das múltiplas e respectivas gerações da nossa terra insular, muito do mais decisivo perfil signitivo da alma da Pátria Açoriana”. |