Crónicas de Lá e de Cá
A condição básica para a vida na terra é a existência de água. Sem este recurso e sem alimentos o homem não sobreviveria. A energia constitui também um elemento de sobrevivência, pelo menos na manutenção das sociedades actuais tal como as conhecemos. Muita da geopolítica do futuro passará por estes elementos, representando, de certa forma, um regresso às mais básicas necessidades humanas. Os conflitos que têm como pano de fundo a energia marcaram o século XX e marcam o início do nosso século. A luta pelo acesso aos recursos energéticos, quer às suas fontes, quer aos canais de distribuição, quer ainda às tecnologias tem condicionado todo o relacionamento entre os povos e tem sido causa de muito derramamento de sangue. Mesmo que a base energética mundial deixe de ser o petróleo, outras fontes substituirão esta, esperando-se que possam ter origem em regiões mais estáveis e fiáveis politicamente e que não tenham efeitos tão perversos para o ambiente. A Política Energética Europeia deverá ter em conta estas novas realidades de forma a garantir não só a suficiência, mas também a segurança do abastecimento, assegurando simultaneamente a menor pressão ambiental possível. Do mesmo modo, a produção alimentar mobilizará enormes esforços durante os próximos decénios, não só porque a população mundial cresce exponencialmente, mas também porque a competição entre produções alimentares e energéticas mudará a face e a utilização da superfície agrícola útil mundial. Tanto por via do aumento populacional, como por via do aumento de capacidade de consumo, os países emergentes não terão capacidade para satisfazer a sua procura crescente, pelo que os países industrializados terão de mobilizar as suas capacidades agrícolas para garantir algum equilíbrio entre a procura e a oferta mundial. Daqui nasce, a nível europeu, a necessidade de preparar a Política Agrícola Comum para responder a este desafio. Não podemos também olhar com passividade esta espécie de novo colonialismo que representa a compra de terrenos agricultáveis em Africa por parte de alguns países Árabes e da China. Por fim, a água, onde tudo começa e acaba. Já houve quem prognosticasse que a água seria a razão principal das guerras mundiais no século XXI. A verdade é que por via de desperdícios, de consumos exagerados em algumas partes do mundo, da má gestão ambiental e das consequências das alterações climáticas, os recursos de água potável serão cada vez mais insuficientes e, por consequência, mais disputados e valorizados. É um regresso às origens.
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