A nova biblioteca e arquivo de Angra bem podia - e devia - ter sido mote para quil?metros de escrita e minutos de discuss?o. Podia, mas n?o foi, com a natural excep??o de meia d?zia de cronistas regulares que, por mor dos seus conhecimentos sobre diversas mat?rias, v?o tentando alertar o poder instalado para os passos em falso. Que abundam na Terceira, e que v?o tendo o cond?o da invencibilidade e o carimbo do desgosto futuro. A nova biblioteca e arquivo, por mais belo que seja o projecto da conceituada In?s Lobo, ? um desses passos, e a sua aprecia??o est?tica nunca sequer poder? afirmar-se porque, simplesmente, n?o se pode ver todo o edif?cio, sobressaindo apenas que nasceu qual verruga no arruamento do Morr?o, estrangulando a perspectiva de quem ? que s?o poucos ? at? olha para Angra com um resqu?cio do que foi tra?ar uma cidade com l?gica e equil?brio.
A esse respeito lembro apenas dois factos muito simples, fazendo um paralelo com o edif?cio de excel?ncia que ? o novo arquivo do Funchal, uma moderna estrutura, com v?rios pisos e uma ideia de futuro pensada a s?culos de dist?ncia para albergar o legado impresso do que ser? a nossa hist?ria pelos tempos. Em Angra, e contrariando a vari?ncia internacional, optou-se por continuar com a biblioteca acoplada ao arquivo, assim bem ao jeito das novas escolas com milhares de alunos, que por essa Europa se deixam de construir e que, por c?, nascem como cogumelos gigantes. Pois ?, somos mesmo ?nicos.
Tamb?m a passagem de todo o hist?rico legado, material que o arquivo legal - que Angra tamb?m tem? ? do Funchal foi recebendo, mereceu uma opera??o que durou anos de prepara??o. Sendo hoje poss?vel, num completo sitio que a institui??o disponibiliza na net, aferir essa realidade, percebendo-se qu?o o complexo ? lidar com material daquele calibre. Pelo que sempre podemos imagin?-lo a encher a rodos o edif?cio escavado no ch?o fronteiro ao bairro piscat?rio do Corpo Santo. S? n?o se sabendo bem como?
Recordo tamb?m horas passadas na Biblioteca Almeida Garrett, um edif?cio com menos de uma d?cada, que embeleza a entrada superior dos jardins do Pal?cio de Cristal, no Porto. Espa?o, luz, acessibilidades, transportes, ?rvores ? vista e muito movimento de pessoas, suas fam?lias, passantes e beleza, exactamente o que nunca ser? poss?vel concretizar no sumptuoso edif?cio desenhado pela conceituada In?s Lobo. Como a pr?pria refere sobre o dito, "desenhado n?o pelos seus volumes mas pelos seus vazios", porque foi preciso "pensar os espa?os gerados para l? da forma, a sua face p?blica e a liga??o aos percursos da malha urbana exterior. Assim nasce uma arquitectura intimamente relacionada com as especificidades da sua pr?pria situa??o". E essa situa??o ? m? e continuar? a ser. Porque quem insistiu que a estrutura deveria localizar-se ali foi apenas e t?o s? teimoso.
A nova biblioteca e arquivo de Angra bem podia - e devia - ser um orgulho de futuro e uma bandeira contempor?nea de valor para a nossa cidade. Podia, mas n?o vai ser? |