O 25? t?tulo de campe?o nacional pelo Futebol Clube do Porto come?ou a desenhar-se, e ? justo referi-lo, no in?cio da ?poca, e quando o super-poderoso e favorito vencedor da pret?rita temporada ? sobre a qual me abstenho de fazer coment?rios ? desenvolvia um futebol sofr?vel ao qual os drag?es respondiam com vit?rias e a constru??o de uma nova marca em campo, intimamente ligada ? filosofia que Jesualdo Ferreira imprimiu aos diferentes grupos de trabalho orientados em quatro anos consecutivos. O mote para o sucesso actual foi, mais uma vez, criado pela genialidade e vis?o do presidente Pinto da Costa que, ao contratar o muito jovem Andr? Villas-Boas para timoneiro de uma nau sedenta de triunfos, "matou" dois problemas de uma s? vez. Primeiro porque soube renovar ?nimos e imprimir uma vontade assente em diferentes m?todos e motiva?es, e depois porque o maior rival na liga portuguesa logo desmereceu os curtos cr?ditos do novato t?cnico, entrando o seu pr?prio "mister" pelo f?cil mas ruinoso caminho do confronto verbal ? para o qual n?o est? minimamente talhado? -, quando em campo se adivinhava quem jogava melhor futebol. Qualquer que fosse a previs?o dos videntes de servi?o ou quaisquer que fossem as notas art?sticas de cada exibi??o. A festa de domingo, com o mau perder associado a um jogo que quase resumiu a temporada em meia d?zia de lances, deu raz?o a quem a tinha e, por dif?cil que seja de engolir ? lusa p?tria, deu raz?o a Pinto da Costa pela aposta arrojada de escalar um treinador ambicioso, estudioso, adepto da evid?ncia do bom futebol e, acima de tudo, destacado positivamente de uma instalada pl?iade que se arrasta em torno do desporto-rei nacional, nem sempre de m?os dadas com a qualidade. E isso, Villas-Boas tem de sobra?
Sou portista desde pequeno, arrisco mesmo desde o tempo da televis?o a preto-e-branco, do in?cio da era vitoriosa dos anos 80, numa vontade assente nas hist?rias de Artur de Sousa "Pinga", Ac?cio Mesquita, Valdemar Mota - os tr?s diabos do meio-dia, como ficaram conhecidos? - e demais estrelas da Invicta que o meu av? Fernando me contava com pormenor ap?s passagens fulgurantes de saudade pelo Est?dio do Lima.
Ainda h? algumas semanas, por alturas do ano novo, passei como de costume no velhinho campo da Constitui??o ? onde orgulhosamente se fixa a antiga placa do "Foot-Ball Club do Porto" -, para por l? me fixar no final de uma das tardes de capta??o jovem da equipa da cidade. Depois equipa da regi?o. E cada vez mais equipa de um pa?s, que tem levado longe a sua ambi??o de vit?ria e criteriosa gest?o. Na ?ltima d?zia de anos perdi a conta a quantos jogos assisti no Est?dio das Antas e, j? em menor quantidade, no imponente Drag?o, sendo que certa ? a presente emo??o em cada hora de entrada, em cada hino cantado, em cada golo festejado em fam?lia ou simples amizade.
E mais certo ainda ? que cada triunfo do Porto me traga sempre ? mem?ria um afago meigo de umas m?os fortes. E um len?o de pano muito lavado com um cheiro intenso a lavanda. Por vezes o meu av? passava-mo na cara para que lhe sentisse o perfume? esse mesmo que desceu, e se fixou, num cora??o a azul-e-branco?
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