1?Desde os finais do s?c. passado que ingress?mos na Idade da Energia, ? semelhan?a de outros marcos mili?rios da Civiliza??o (como a Idade do Ferro, a Idade do Bronze, etc.). Todas essas refer?ncias ou mudan?as prosseguiram pelos tempos adiante e todas evidenciaram o desempenho vital das Ci?ncias da Terra (mais recentemente associadas, ?s do Espa?o ? as Ci?ncias da Terra e do Espa?o). Quando estudava na Universidade do Porto, em 1959, vaticinava-se o fim do carv?o para meados de 2000-2050. ?amos frequentemente ?s minas carbonosas de S. Pedro da Cova e do Pej?o recolher belos f?sseis de fetos do Carb?nico, em xistos, com mais de 300 milh?es de anos de idade. Quando transitei para a Universidade de Lisboa, em diversas excurs?es geol?gicas quer como aluno quer como Assistente, visitei perfura?es em quintas de Torres Vedras e Alcoba?a e cheguei a observar a bombagem de" crude nacional "para uma dezenas de bid?es, posteriormente refinado na Sacor, a empresa dos administradores fina?os e ex-ministros do regime. Vaticinava-se, nas confer?ncias, que o petr?leo mundial teria reservas para mais uns 80 anos, no m?ximo.
2--Assim apareceu a ideia de se construir uma central nuclear em Ferrel, a oeste de Torres, junto ? costa. Colaborei nesse estudo atrav?s da empresa onde era consultor de Geotecnia, a Teixeira Duarte Ld?. e consequentemente tomei contacto com uma enorme listagem de condicionantes (incluindo a exposi??o a tsunamis). O projecto foi abandonado ap?s outros estudos alternativos, nomeadamente em Sines, concluindo-se que se tratava de investimento monstruoso em seguran?a e que as condi?es geol?gicas eram desfavor?veis (alta sismicidade potencial e exist?ncia de fracturas geol?gicas regionais e transcontinentais perigosas).
3--Entretanto os franceses, competindo com os norte-americanos, prosseguiram com o desenvolvimento das suas centrais nucleares, alcan?ando a posi??o cimeira e invej?vel que conquistaram na ind?stria nuclear. Assim se explica a existencia das miss?es militares francesas na ?frica central (Chade, Costa do Marfim, etc.) onde "caridosamente" cuidam dos governantes ind?genas e estes, por sua vez, "cuidam" das enormes jazidas de minerais uran?feros e respectivas comiss?es. Tamb?m por ali andei, em miss?es cient?ficas da Junta de Investiga?es Cientificas do Ultramar em certos s?tios o contador Geiger, mesmo de helic?ptero," cricava" como um grilo, continuamente). Portugal continuou com a sua politica de depend?ncia do petr?leo e do carv?o estrangeiro. Apenas na ?ltima d?cada as e?licas e as solares tomaram a dianteira.
4--No caso dos A?ores, por teimosias e invejas pessoais, o projecto geot?rmico (o nosso complemento energ?tico) retardou-se anos e anos, perdendo-se assim milh?es de escudos e de euros. Contudo, pior do que esses bili?es de perdas, foi a real situa??o de se ter obstru?do a constitui??o lenta mas promissora duma Escola Geot?rmica dos A?ores (como o fizeram islandeses, neozelandeses, franceses, italianos, japoneses, etc.) de modo a, cadenciadamente, se dispensar a sanguessuga estrangeira, tal como hoje sucede, vergonhosamente, em S. Miguel e na Terceira (opera?es geot?rmicas sempre cheias de segredos...que muita gente conhece. ? triste querer ser-se sempre escravo...). A e?lica presentemente e finalmente tamb?m atravessa um per?odo com impacto econ?mico. A utiliza??o da energia das ondas tem sido um desastre e vai prosseguir com a hecatombe. O recurso ao hidrog?nio, decerto uma promissora fonte energ?tica para regi?es isoladas e carentes como a nossa, entrou em meandros pol?ticos e pessoais semelhantes aos da geotermia de 1979-1990; com a agravante dos "cientistas hidrog?nicos" envolvidos necessitarem dumas colheradas de xaropes t?ssicos de mod?stia e de desobstru??o da obstipa??o mental...
5--Daqui se conclui que a Geologia e os ge?logos regressaram ? Modernidade. A descoberta de novas t?cnicas de perfura??o em ?guas profundas, o revelar preciso da descoberta de enormes jazidas de g?s no Canad? atiram os ?rabes para um canto e o achado de volumosas jazidas uran?feras na Argentina enervaram os franceses e "ses amis africans" (estilo M?ri? Soares?mon ami "Mitrand"...). Por outro lado, quase subitamente, veio a compra, pela China (claro), de imensa reserva de minerais hightech na Groenelandia, em terrenos desglaciarizados, compra que "aterroriza" as ind?strias metal?rgica e inform?tica ocidentais.
Quanto a n?s, decerto protegidos pelos pastorinhos, os A?ores assistir?o, no futuro, ao invadir dos seus mares pelos hightecs. Pouco ou nada sabem de Geologia Econ?mica dos seus dom?nios oce?nicos..... E, pior, enxotam os atrevidos, como eu, que os alertam. Assim seja! Deo gratias!
Victor Hugo Forjaz, Vulcan?logo de Eng?
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