As estat?sticas s? dizem verdades. O problema ? que existe ? ? que elas dizem todas ou quase todas as verdades que quisermos. Desde h? anos que se usam as dormidas como um indicador aceit?vel para a actividade tur?stica e, pensando com simplicidade, parece l?gico que quem dorme em hot?is ? turista e que, sendo turista, gastar? dinheiro. ? ? era ? assim, conforme nos indicam as mais recentes estat?sticas dispon?veis no s?tio internet do SREA. Porque eram poucos os turistas, porque viajar era uma "coisa" que correspondia a um determinado figurino, porque viajar e gastar dinheiro eram sin?nimos. Ora, isso era "no antigamente"! "No agora", conforme a gente pode ver das mesmas estat?sticas recentes, as dormidas t?m subido mas os proveitos t?m diminu?do (e nem sequer ? verdade que proveitos sejam sempre e s? lucro, muito menos l?quido), ao mesmo tempo que o n?mero de pessoas empregadas no sector, segundo ? indicado, tamb?m diminuiu no global dos meses de 2011, at? agora. Mas n?o vim aqui para protestar n?meros e estat?sticas, at? porque me arriscaria a algu?m vir indicar outra forma de os ver e eu teria, depois, uma trabalheira danada a encontrar mais n?meros que me justificassem, e esse "debate" iria continuar, at? ao infinito, de ambos os lados, bastando saber somar ou acondicionar os n?meros de acordo com a vis?o do problema. O que me traz aqui tem a ver com a necessidade de se tomar definitivamente consci?ncia ? ou de se retomar essa consci?ncia de um modo eficaz ? da forma impr?pria como temos assistido ao "desenvolvimento" do fen?meno nos A?ores. Se ? facto que h? mais hot?is tradicionais e estabelecimentos de turismo de habita??o e em espa?o rural, ?, sobretudo e principalmente, um facto doloroso ver-se que os visitantes, al?m de gastarem menos, usam cada vez menos produtos locais. Costuma dizer-se que, em regi?es com problemas de custos de transportes, o turista deve ser incentivado a comprar c?, levando ele depois a mercadoria consigo. Costuma dizer-se que a hotelaria tradicional e ? por maioria de raz?o ? a de espa?o rural ou habita??o, s?o ?ptimos pontos de venda e divulga??o de produtos da terra. Costuma dizer-se que, para reduzir o impacto do carbono no ambiente, se deveria incentivar e apoiar o uso de bens produzidos localmente ou com valor acrescentado local. Diz-se ? boca cheia tudo isso e o mais que se ouve, mas o facto ? que os visitantes s?o cada vez mais, gastam cada vez menos e a incorpora??o de trabalho insular ou de mat?ria-prima local ? cada vez menor. ? por isso que me custa ouvir dizer que h? mais gente a dormir por a?! Porque dormir n?o basta! H? que saber incorporar m?o-de-obra e mat?rias-primas locais ao longo de toda a fileira do neg?cio. S? assim os reais proveitos aparecer?o, para benef?cio dos A?ores e dos a?orianos. |