Subia eu a rua da S? quando ouvi, no conjunto de sinos recentemente instalado na Catedral, o "malh?o"! Nem todas as notas eram tocadas, talvez porque a organiza??o da melodia tivesse de ser alterada para se enquadrar na tipologia dos sinos agora existente, mas era reconhec?vel, em absoluto! Andei um pouco mais e eis que se ouvem os acordes, estranhos, outra vez, mas identific?veis, da "rosa arredonda a saia"! J? ia no Alto das Covas e n?o fazia ten??o de regressar, pelo que n?o sei se a s?rie de melodias evoluiu para "as velhas" ou para o "jardim da Celeste"? Primeiro fiquei estupefacto, depois tentei encontrar raz?es para aceitar. E n?o encontrei! N?o desgosto dos temas, conhe?o-os desde menino e mo?o e ou?o-os ao passar perto das janelas da rua de alguns jardins de inf?ncia, mas ouvir aquilo ? tocado daquela maneira, ainda por cima ? nas sineiras da igreja Catedral, pareceu-me um excesso. Percebo, compreendo e aceito que uma comunidade queira crescer e engrandecer-se, queira melhorar o mundo de sons que a envolve e queira evoluir na beleza que a rodeia. Por?m, tenho imensas e ? acredito ? fundadas d?vidas em aceitar que as sineiras da S? (ou de uma qualquer outra igreja) sejam o local indicado para se apresentar, aos quatro ventos, melodias deste tipo. Quando vi as modifica?es em curso e sabendo que, desde a reconstru??o ap?s o sismo de 1980, as sineiras da S? haviam sido preparadas para instalar um carrilh?o (pequeno que ele fosse), esperava o aparecimento de alguns pequenos concertos em dias festivos. Ao ver aquela catrefada de sinos a subir pensei, at?, que iam surgir algumas pe?as novas, preparadas por professores do nosso ex-conservat?rio e agora departamento da Escola Tom?s de Borba ou por outros compositores. Perante toda aquela tecnologia aguardei que ficheiros de m?sica de alguma qualidade, eventualmente composta para um outro carrilh?o mas adaptada ?s circunst?ncias locais, viessem a ser ouvidos neste aparato de sinos que agora estava a ser instalado? Esperei, aguardei, desejo que assim aconte?a! Se o Vaticano tem sinos que se reconhecem; se em F?tima se aguardam e ouvem certas melodias; se Westminster ? identificado em todo o Mundo, penso que, com um bocadinho de mais trabalho, se poder? ter algo de efectivamente dignificante. Em vez disso o que temos s?o ficheiros autom?ticos de computador, sinos que ressoam sempre por igual, melodias tontas. Lembram-se da ?poca em que o R?dio Clube de Angra come?ava todas a suas emiss?es com algumas notas do "meu bem", seguidas das badaladas do rel?gio da S?? Tinha for?a, qualidade criativa e identidade. Sabia-se que era daqui! Termine-se ? e afine-se ? o conjunto de sinos que est? na S?. Fa?a-se um esfor?o para que aquilo seja, de algum modo, o carrilh?o que se deseja e d?-se, sobretudo, dignidade e identidade ?s nossas igrejas, a come?ar por esta!
Post Scriptum: Presumo que o "malh?o" n?o ser? ouvido na Quaresma e desejo que este sincero apelo tenha eco.
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