O actual secret?rio de Estado das Pescas do governo portugu?s veio, recentemente, dizer em p?blico que a falta de um navio oceanogr?fico prejudica as negocia?es no ?mbito da Uni?o Europeia. Manuel Pinto de Abreu explicou que o pa?s n?o tem um navio oceanogr?fico que possa recolher dados sobre o peixe das ?guas nacionais. Sem esses dados, a Comiss?o Europeia pode impor quotas desfavor?veis aos pescadores portugueses e nada se pode contrapor. Espera que Portugal tenha um, j? em 2012. Nas recentes jornadas agr?colas, realizadas na Praia da Vit?ria, foi referida a qualidade da carne produzida nos A?ores quando em regime de pastagem. Recentemente, investigadores ligados ao DOP da Universidade dos A?ores referiram a possibilidade de se "cultivar" cracas e outros animais marinhos, como modo de aproveitar melhor os recursos das ilhas. Investigadores ligados ao DCA vieram, tamb?m, a terreiro, chamar a aten??o para a problem?tica ligada ? eventual estabula??o permanente do gado, cujas consequ?ncias n?o s?o conhecidas. Criadores da ra?a angus nos A?ores est?o felizes pela possibilidade de acesso a uma cadeia de supermercados e continua a falar-se do leite e doutros produtos e da necessidade de se apontar a sua qualidade e lhes dar mais visibilidade. Por outro lado, a aquacultura tem sido politicamente referida como um dos caminhos a seguir na cria??o de riqueza na Regi?o. Do ponto de vista da identidade cultural e econ?mica dos A?ores parecem-me estar aqui referenciadas as quest?es b?sicas que acompanham a nossa exist?ncia como arquip?lago povoado, desde in?cio, e, agora, como Regi?o Aut?noma. ? sabido que a dimens?o n?o permite a concorr?ncia em quantidade e as caracter?sticas apontaram, sempre, para a diferencia??o pela qualidade, com vantagem. Entretanto, mesmo quando ? e muitas vezes assim aconteceu, no passado ?, foram os outros a reconhecer essas particularidades, foram elas a gerar a riqueza e fomos n?s a dar cabo dela. Trago aqui, a prop?sito, uma curiosa refer?ncia publicada num peri?dico londrino, o "Leisure Hour", datado de 24 de Maio de 1855. Refere-se, com pormenor o com?rcio da laranja, entre a Inglaterra e os A?ores, a qualidade da laranja ? de casca fina e mais doce ? e a pressa com que os navios regressavam ? Gr? Bretanha, a fim de ganhar os melhores pre?os. Quem ler, entretanto, trabalhos de investiga??o sobre esse com?rcio, realizados por c?, verificar? que as pessoas come?aram a misturar laranjas do ch?o com as do ar e o "assunto" acabou, de vez, quando chegaram as doen?as. Com o que li estes dias fiquei com a sensa??o que continuamos a descobrir a roda, todos os anos. Ser? preciso reafirmar que a nossa sustentabilidade e possibilidade de crescimento depende da capacidade de perceber e produzir diferente, evitando gastos desnecess?rios e mantendo a qualidade? Ser? preciso repetir, nomeadamente, a necessidade de respeitar e chamar a terreiro a investiga??o regional, e assumir a nossa identidade cultural e econ?mica como pilar essencial?
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