A questão da remodelação autárquica coloca o problema, interessante, de se perceber o que valorizar mais: se o território se a aglomeração de gente. E inclui, paralelamente, a questão da liberdade ou da libertação do Homem das servidões de que já nos fala o Génesis. Durante milénios foi a relação próxima com a terra cultivada a libertar o ser humano do contínuo palmilhar de planícies e montanhas em cata de caça. Libertação do andar que se tornou em servidão do ficar! A coisa não era má, no entanto, já que a caça se transformou nos rebanhos e o catar dos frutos e plantas se transformou na pastorícia e na agricultura. Foi a sedentarização, de que nos falam os manuais de geografia humana. Servidão de ficar feita de esforço e referida no versículo "Seja maldito o solo, a terra, por causa de ti. Durante todos os dias, tu cultivarás e trabalharás com o suor do teu rosto…". Porém, o querer fugir dessa nova escravidão começou logo e continuou, com evoluções tecnológicas sucessivas, buscando, de todos os modos, saltar fora de uma espécie de espiral contínua, que agarrava o Homem à terra e tornou muitos em servos, durante milénios. A Industrialização do Mundo, feita muito a partir dos modelos do Século XVIII europeu, permitiu outro salto e, de novo, a ideia de libertação surgiu, desta vez para, saindo da chuva ir cair no molhado: A servidão da terra transformou-se na servidão da fábrica, dos seus horários, necessidades e processos. Fuga da terra enquanto solo necessário à agricultura, fuga da terra enquanto lugar obrigatório de viver, porque se depende dele. E chegámos ao hoje, onde a situação limite dessa fuga é a novidade da agricultura sem solo, vulgarizada sob o nome de hidropónica. Aqui é a própria terra, como fonte de sustento, que se abandona e questiona, ao mesmo tempo que a vida urbana nos faz perder a noção da Terra em que vivemos e de que dependemos, apesar de todas as inovações tecnológicas. Vim por aqui fora, por este caminho feito de imagens e recordações históricas, porque isto de se arrumar com freguesias e criar outras entidades, esquecendo distâncias, montanhas e vales, planícies e mares só poderá ser um perfeito modelo de solução para quem não vê o território como importante mas não é se tivermos em conta a importância desse chão. Empacotar gente em prédios e cidades dormitórios deixando ao desbarato largas zonas de território só na a aparência é que poderá ser um pensamento positivo. Qualquer esquema de malha administrativa e política que se venha a criar deve enquadrar o chão que se tem, nunca o considerando como empecilho ou vinha vindimada.
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