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Francisco Maduro - Dias:
MAR DE ENGANOS

 

O que se passou e passa com os navios encomendados em Viana do Castelo, depois retirados de Viana e agora outros encomendados em Espanha para substituir os "Cruzeiros" est? errado!
O que se passou, mesmo certo nas entrelinhas dos contratos, protocolos, acordos, fiscaliza?es, supervis?es e por a? fora, est? errado do ponto de vista de um leigo, obrigado a ver o assunto correr nas p?ginas dos jornais sem sequer poder chegar perto da verdade.
A gente sente que as coisas todas n?o foram ditas (e, se calhar, nem podiam nem deviam ser, mas?).
A gente pressente uma quantidade de armadilhas de linguagem no modo profissional como o tema ? abordado por pol?ticos, administradores, envolvidos? e a gente, como gente que ?, eleitora, votante, pagante de todas as coisas boas que se fazem e, sobretudo, de todos os desmandos que se fazem, gostava de saber por que raz?o ? que se deixou o assunto chegar onde chegou na constru??o do Atl?ntida em Viana e porque ? que o resto desandou, como corda partida de rel?gio de bolso em que as rodas todas saltam fora.
A gente gostava de perceber porque ? que o projecto escolhido foi aquele e n?o outro; onde pairou (escrevi mesmo "pairou" e n?o "parou") a fiscaliza??o e as comiss?es de acompanhamento que existem sempre nestes casos, mais que n?o seja para receber rendas e fazer viagens; se era ou n?o era previs?vel, com tanto t?cnico e tanta t?cnica, perceber que o assunto estava mal encaminhado e reorient?-lo para o trilho devido?
Porque, deixando de lado todas essas d?vidas que a gente tem a bailar na parte de traz da cabe?a, onde costumam ficar os pensamentos teimosos, n?o se percebe por que raz?o, neste pa?s de mar mas com quase nenhuns estaleiros, nesta terra onde abundam os especialistas, a ponto de terem coloca??o quase certa no estrangeiro, mas muito incerta aqui, aconteceu este rol de pecados, asneiras, desmandos e meias palavras, acabando por deixar o navio amarrado ao cais e a Regi?o a ter de voltar ao aluguer e ao gasto.
? de bradar aos c?us isto de se mandar ?s urtigas um navio daqueles, mesmo que mais lento, mesmo que fosse cobrada uma multa por via disso.
A queixa p?blica (e, portanto, a ?nica substancial a que a gente se agarra, na ignor?ncia do canto da rua, para tentar perceber o todo) s? refere a velocidade, deixando a capacidade de aguentar mar, de poder manobrar em ?reas pequenas, de poder inverter a marcha num sopro, de ser est?vel e confort?vel, no tinteiro.
H? mais e ficou escondido?
Tudo bem! O contrato, o famigerado e escrito contrato, falhou em alguma(s) cl?usulas? Aceite-se. Mas isso justifica dar cabo de um estaleiro? Dar cabo de uma ind?stria? Encerrar mais uma das poucas portas que este pa?s ainda tem para o mar em termos construtivos? Perder mais anos? A responsabilidade (moral e ?tica, acima de tudo) est? s? daquele lado?
A menos que a explica??o seja segredo de Estado a gente tem o direito de saber e, mesmo sabendo, de achar que o caminho devia ser o do entendimento! Construir riqueza em Portugal ? uma obriga??o nossa! Agora ainda mais!

 

Quinta-Feira, dia 03 de Maio de 2012  

 

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