Este arquip?lago n?o ? um territ?rio cont?nuo! ? uma federa??o de bocadinhos orgulhosos de si, da sua cultura e viv?ncias, ?s vezes invejosos uns dos outros que, sem viverem de costas uns para os outros, n?o aceitam que algu?m mande mais, s? porque ? maior, mais bonito, mais alto, mais engra?ado, mais rico, mais comprido, mais redondo, mais antigo, mais qualquer coisa. Repetindo a frase ? agora por outro ?ngulo, mais f?sico ? este arquip?lago n?o ? um territ?rio cont?nuo em termos geol?gicos, ambientais, clim?ticos, ecol?gicos, humanos. O que faz toda a diferen?a. Quer isto dizer que quaisquer solu?es a procurar N?O PODEM E N?O DEVEM (usei as mai?sculas de prop?sito) ser buscadas em territ?rios cont?nuos e, muito menos, ser centralizadas, mesmo que o centro escolhido seja no Corvo ou na Graciosa em vez da cada vez mais tradicional S. Miguel e Ponta Delgada, porque isso conduz, de imediato, ? fuga e ? desagrega??o. Nesses sentidos, a administra??o p?blica e a vida do tempo dos distritos aut?nomos eram bem mais descentralizadas e democr?ticas que a actual situa??o, privilegiando os centros de decis?o pr?ximos em vez da burocracia informatizada e teleguiada. Por outro lado, ainda, pouca gente percebe e muito menos gente aceita a dimens?o f?sica e psicol?gica desta realidade arquipel?gica! ? que a gente, quando sai da sua terra e ilha, tanto lhe faz ir para outra ilha ou para a Austr?lia! Se tem de sair sai e pronto, sendo que, perante as alternativas, antes a Austr?lia! Enquanto, num territ?rio cont?nuo, os tradicionais an?is de an?lise e de administra??o ? local, regional, nacional ?, traduzem a diversidade de transportes, de custos, de tempo e dist?ncia, por estas bandas de c? a gente paga quase o mesmo, demora muito, e usa os mesmos tipos de transporte, seja para um "salto" de 60 quil?metros seja para ir ver o p?r do Sol ao outro lado do mar. Simplesmente o anel "regi?o" n?o existe para quem c? mora, sendo uma realidade mais te?rica e administrativa que real, econ?mica e cultural, sobretudo para consumo externo. Em 1976 surgiu algo muito interessante: uma certa consci?ncia de arquip?lago, um gosto muito acentuado por se estar a construir uma regi?o pol?tica e cultural. O triste ? que, ao mesmo tempo que isso acontecia, as ilhas fechavam o mercado interno, r?stico e informal embora, que existia antes e deixou-se de planear o uso do territ?rio de um modo saud?vel, equilibrado e livre, para se ver surgir uma teia de interesses e dom?nios. Na verdade, passadas estas d?cadas de autonomia, desde 1976, a Regi?o A?ores pode ser um lugar onde se vive melhor, se ganha mais dinheiro, se ? eleito, se domina ou se ? dominado, mas n?o ?, ainda, a verdadeira federa??o de interesses, negociados, reunidos, combinados, funcionando em colabora??o livre e democr?tica que se pretendeu construir h? 36 anos. ? essencial perceber-se o que ? um arquip?lago e encontrar os modelos de desenvolvimento que lhe acertem. Os A?ores, como um todo e em cada um destes bocadinhos de terra e mar, merecem mais!
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