Primeira parte:
Quando, em 1974/76, surgiu no horizonte a possibilidade de uma autonomia pol?tica e administrativa para os A?ores colocaram-se, desde logo, d?vidas quanto ? capacidade financeira e produtiva da Regi?o, no sentido de suportar a apoiar as necessidades do aparelho administrativo a criar e, por outro lado, o desenvolvimento desejado. Se isso era, de algum modo, verdade, o certo foi que, durante os primeiros anos, se sentia na maioria das pessoas vontade de fazer, de produzir, de criar, de construir, e isso continuou at? por volta de 1986/88. Sobretudo, havia uma renovada vontade de produzir localmente, de rever os recursos existentes e us?-los, de ir fora em busca do que faltava, mas de edificar aqui o necess?rio. N?o ? por acaso que coloco por volta de 1988 o come?o do fim dessa primeira ?poca. ? que foi nessa altura que entr?mos para a CEE e come?aram a chover subs?dios e dinheiro. N?o vale a pena trazer aqui de novo o tema, mas se algu?m se der ao trabalho de ler os jornais de ent?o, ver? coisas tremendas como a quantidade de dinheiro por cabe?a que entrou na Regi?o ? e saiu! A? ? que est? o problema! ? por via disso, desde a?.
Segunda parte:
Tenho tido, recentemente, oportunidade de contactar de perto com turistas e visitantes, de v?rias origens. Invariavelmente eles perguntam por produtos locais, actividades, locais, coisas locais. Mostrar uma ma?? estrangeira ? ter a certeza de ela ficar na prateleira ou fruteira; mostrar uma banana daqui ? e explicar o m?todo e mostrar o local de produ??o ? ver uma penca de bananas desaparecer dentro do saco de compras. O mesmo se passa com vinho, queijo, mel, tecidos, compotas, pe?as de barro e madeira, ch?, ananases, meloas, alhos? Essas pessoas t?m uma esp?cie de barreira mental contra o que ? produzido industrialmente, preferindo, de modo muito claro e evidente, o que n?o ?. E custa tanto procurar e n?o encontrar?!
Final:
Ser? que a gente ainda n?o percebeu a enorme mais valia dos recursos locais? Ser? que a gente n?o percebeu at? que ponto deita fora, todos os dias, centenas de euros, sob a forma de subs?dios que entram, para a gente comprar o que vem de fora ? e o resultado ? o dinheiro voltar a sair sem deixar rasto, sequer? Ser? que a gente n?o percebeu a enorme diferen?a entre ser produtor e ser consumidor? A trinta e cinco anos de vista de termos reclamado, em coro, nas pra?as e nos processos eleitorais, o nosso direito ? autonomia, parece que estamos mais interessados e t?-la dependente e subsidiada em vez de edificada em cima do resultado do nosso trabalho. A paisagem das ilhas, urbana e rural ? hoje, em muitos aspectos, a de uma economia dependente e subsidiada, em vez de ser a de uma economia em busca da sua liberdade, considerando os apoios sobretudo como mais valias para um salto maior. ? como se, querendo subir uma parede, a gente prefira ficar na escada encostada, em vez de trepar realmente.
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