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Eduardo Ferraz da Rosa:
As Espumas da Praia

 

Na ilha Terceira, as Festas da Cidade da Praia da Vit?ria tem um historial mais ou menos vasto e conhecido, apesar de reincidentes omiss?es e de pequenos e forjados mitos que ? ami?de ? rodeiam certas e (des)ajeitadas narrativas individuais e algumas protocolares e ret?ricas evoca?es institucionais (demasiadas vezes feitas conforme vai convindo aos conjunturais, vari?veis e mut?veis interesses de indiv?duos e grupos hegem?nicos na vida pol?tica, associativa, comercial e econ?mica dessa antiga, nobre Vila e sede do Concelho do mesmo nome).


O caso, de resto, n?o ? exclusivo dali e bastaria ali?s uma simples compagina??o dos seus aproveitamentos e sucessivos programas, discursos, comiss?es, or?amentos, propagandas, divulga?es promocionais, feiras, reportagens e imagens documentativas ou publicit?rias para fazer-se uma ideia mais rigorosa e proporcionada dos seus a seus donos e donas, e das respectivas e reais aferi?es de custo-benef?cio ou contrapeso de despesa-investimento-ganho a diversos n?veis de avalia??o quantitativa e qualitativa?


Por?m seja l? como for ? at? porque n?o ser? esta a ocasi?o adequada para balan?o das contas desse ros?rio ? a verdade ? que as chamadas "Festas da Praia" vem gerando uma not?ria e crescente expectativa, tem efectivamente granjeado uma medrante popularidade na ilha, alcan?aram um significativo impacto regional e junto das nossas comunidades imigradas, e conseguiram pontuar uma qualidade est?tica (especialmente nos seus Cortejos e Marchas) que ? justo registar e salientar, apesar do esbatimento ou inexist?ncia de muitas outras desej?veis e regulares componentes que uma programa??o festiva, sociocultural, art?stica e l?dica deste (digo, de outro alternativo ou, pelo menos complementar?) jaez vem reclamando desde h? demasiado tempo!


Todavia, de todo e qualquer modo, estas Festas parecem mesmo conseguir avivar uma genu?na e ciosa intui??o de perten?a memorial e de dilatada identifica??o esp?cio-temporal de e entre os Praienses, envolvendo-os a todos e ?quelas num particular sentimento saudoso (embora nem sempre muito criticamente consciencializado, mas que por si s? ? positivo, humanamente compreens?vel e acaba justificado).


? E como n?o haveria de ser assim? ? quando, para al?m do mais que fica para outra Cr?nica ?, como dizia um dos seus filhos mais afectiva e intelectualmente pr?digos ? "bendito seja o deus do encontro, / O mar que nos criou [?], Pois fica-se sabendo/ Que da espuma do mar sai gente e amor tamb?m"?


 

Sexta-Feira, dia 03 de Agosto de 2012  

 

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