A gente costuma olhar para os Estados Unidos e falar da espantosa capacidade de se reinventar que aquela sociedade tem. A gente fala do progresso e do desenvolvimento dos EUA, sobretudo no que diz respeito ? tecnologia de ponta, e ficamos esfuziados com a chegada a Marte, o p? na Lua, ou a enorme quantidade de pr?mios Nobel do MIT ou de medalhas de oiro nos Jogos Ol?mpicos. A gente n?o olha tanto ? mas sabe que existe ? para a enorme quantidade dos sem abrigo que "moram" nos jardins de Washington DC, por exemplo, e a verdadeira luta feroz pela sobreviv?ncia, que, ali, atinge dimens?es desumanas. A gente, porque tem a tend?ncia a esperar que o governo seja pai de tudo e de todos, tem dificuldade em compreender como ? que muitos americanos preferem n?o ter quaisquer apoios do Estado como garantia ? ?ltima? ? de que esse mesmo Estado n?o se mete nas suas vidas privadas. Em olhando para estas e outras coisas que acontecem nesse pa?s, onde o direito ? busca da felicidade est? inscrito na Constitui??o, a nossa mente selectiva tende a olhar para umas e a esquecer outras que ali tamb?m acontecem, n?o menos significativas. Quero referir-me, hoje, ao desenvolvimento das hortas urbanas e dos mercados de hort?colas em cidades t?o "cidades" com s?o Chicago e Los Angeles. O processo j? tem alguns anos e conta com s?tios na internet e um processo associativo vigoroso, como ? habitual nos EUA em actividades comunit?rias. Ao mesmo tempo surgiram mercados locais e trocas de produtos, ? margem das grandes superf?cies de com?rcio, com pre?os mais baixos e devolvendo ? fun??o produtiva extens?es de ch?o desaproveitado. Tudo isto em cidades que, at? h? pouco, eram ?cones do cimento puro e duro! Se a gente procurar informa??o sobre o tema descobre que a ideia das hortas comunit?rias n?o ? nova no Mundo e ? de origem norte europeia, tendo surgido h? mais de s?culo e meio, numa certa linha de protesto e de rom?ntica liga??o com a natureza No entanto, o que quero salientar aqui ?, sobretudo, o modo como, perante a crise econ?mica, financeira e urbana recente, a popula??o desempregada, desamparada, dessas cidades, se organizou e transformou quarteir?es inteiros de antigos arranha c?us em hortas de couves, nabos, cenouras e repolhos. O pa?s do com?rcio em grandes superf?cies, da grande produ??o industrial, das sementes patenteadas, da ind?stria de ponta, demonstra, mais uma vez, que n?o ? o pa?s do futuro s? porque sim, sabendo reorganizar-se e assumindo a lideran?a da reconvers?o urbana nem sequer com actividades estatais mas com atitudes de base comunit?ria. Principalmente percebendo e mostrando que a boa solu??o da crise parte da economia de base local. A gente, por c?, inclusive porque temos muita e boa gente da nossa espalhada pelos quatro cantos da Am?rica, bem podia deitar os olhos tamb?m para estas coisas e estudar os bons exemplos da terra do futuro.
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