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Comunidade israelita quer recuperar Sinagoga de Ponta Delgada

Quarta, 20 de Fevereiro de 2002 em Religião 1015 visualizações Partilhar Comunidade israelita quer recuperar Sinagoga de Ponta Delgada

As obras de recuperação da Sinagoga de Ponta Delgada, único templo judeu dos Açores, começam no próximo Verão devendo ficar concluídas no início de 2003.

Uma fonte da Comunidade Israelita de Lisboa disse à Agência Lusa que está concluído o projecto de intervenção e regularizado o processo de propriedade que se prolongou por três anos.

A demora na reabilitação do edifício, actualmente em avançado estado de degradação, deveu-se à necessidade de se proceder à regularização da propriedade, problema que ficou resolvido na última
semana, adiantou.

Para avançar com as obras, desloca-se nas próximas semanas aos Açores um representante da Comunidade Israelita de Lisboa que vai acertar com o Governo Regional a "conjugação de esforços" a nível financeiro, disse.

A última estimativa apontava para um investimento de 250 mil euros (50 mil contos), valor desactualizado pelo passar do tempo e pelo agravamento do estado do templo, acrescentou.

Segundo a mesma fonte, o projecto da comunidade prevê que o edifício, depois de recuperado, possa ser aberto ao público, através de um acordo com a Câmara Municipal de Ponta Delgada.
José Mello, da Associação para a Defesa do Património (ADIP), reconheceu que a Sinagoga, edificada em 1836 por iniciativa de várias famílias judaicas, necessita de ser "urgentemente recuperada".

Caso a actual situação se prolongue por mais tempo, os Açores perderão uma das "mais belas sinagogas do país", com um vasto valor patrimonial, advertiu.

Assegurou que apenas a sala destinada ao culto mantém toda a estrutura em considerável estado, enquanto o resto do edifício necessita de uma intervenção urgente.

Apesar dos judeus nunca terem tido grande expressão na ilha de São Miguel, a Sinagoga funcionou como centro da comunidade, onde se celebravam festas religiosas, casamentos e actos de culto.
A sua ampla área albergava ainda dependências destinadas à habitação do rabi e a uma escola de belas-artes, além de um espaço onde os jovens aprendiam a língua e escrita hebraica e os ensinamentos da Tora. Na década de 50 o edifício albergou a última família, numa altura em que já não se celebravam os ofícios religiosos por falta de fiéis.

Recentemente desapareceu da Sinagoga de Ponta Delgada um dos objectos com maior valor patrimonial, uma cadeira do século XIX destinada ao rito da circuncisão de crianças.

Segundo a historiadora Fátima Sequeira Dias, os testemunhos da existência de comerciantes judeus nas ilhas remonta à segunda década do século XIX.

A memória da comunidade israelita nos Açores integra ainda cemitérios localizados na Terceira, São Miguel e Faial.

Diário dos Açores / Azores Digital

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