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Entrevista com José Ribeiro Pinto

Terça, 02 de Abril de 2013 em Entrevista 2618 visualizações Partilhar

José Ribeiro Pinto, autor do programa de rádio "Os Sabores do Jazz", que comemorou no passado dia 3 de Fevereiro 21 anos de vida (emitido na RDP Açores desde 1992), cofundador do festival Angra Jazz e o grande impulsionador da Orquestra AngraJazz. Engenheiro Civil de formação. Em 2009 é homenageado pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo aquando da sessão comemorativa dos 475 anos de elevação de Angra a cidade em que foi distinguido com a medalha municipal de m�rito cultural de Angra do Heroísmo. Sr. Eng.�. Lembra-se do seu primeiro contacto com o Jazz, ou em que altura começou a ganhar-lhe o gosto? Eng.� Ribeiro Pinto (RP) - Comecei a ouvir Jazz tinha uns 5/6 anos, porque o meu pai gostava muito de Jazz, principalmente gostava de ir ver as Big Bands de Swing. E naquele tempo vivíamos em Lisboa, nos anos 50, e eu lembro-me perfeitamente de estar a fazer os trabalhos de casa, o pai estava a trabalhar, e eu ouvia r�dio em ondas curtas de emiss�es de r�dios americanas, ouvia Glenn Miller (http://www.youtube.com/watch?v=ZJE-onnw2gM) e Duke Ellington (http://www.youtube.com/watch?v=bHRbEhLj540) , depois entrei naquela fase da juventude em que ouvia os Beatles e os Beach Boys, e em 68/69 quando entrei para a universidade volto �s sonoridades do Jazz e a partir da� nunca mais larguei o Jazz. De Engenheiro a locutor de r�dio como surge esta oportunidade? R�dio era algo que desejava fazer? RP -Sempre estudei a ouvir r�dio, desde cedo nutri uma imensa paix�o pela r�dio. Tive a minha primeira experi�ncia quando entrei para a Universidade, na Faculdade de Ci�ncias de Lisboa. Transmit�amos programas de r�dio apenas para a sala do refeit�rio, mas n�s faz�amos aqueles programas como se fosse a coisa mais s�ria deste mundo. Eu e um colega na altura faz�amos um programa pop-rock , mas conhec�amos um amigo nosso que tocava num grupo de Jazz e propusemos que ele tivesse uma esp�cie de 15 minutos de Jazz no nosso programa. Como surge a oportunidade na R�dio Difus�o Portuguesa-A�ores? RP - Surgiu em 1991, embora se tivesse concretizado em 1992, o Paulo Henrique Silva e a S�o Rocha que j� trabalhavam na RDP convidaram-me, eles iam come�ar no dia 15 de Fevereiro de 1992 com um programa na nova grelha das 21h �s 00h todos os dias e convidaram-me para eu fazer todas as segundas-feiras meia hora sobre a hist�ria do Jazz. Eles j� me conheciam porque eu j� fazia umas coisas na anterior R�dio Horizonte, uma r�dio pirata que existia no Alto Das Covas e a� fazia um programa de Jazz com o Jos� Manuel Gaspar Correia. Quando acabou a s�rie com eles surgiu a oportunidade e o convite para fazer um programa aut�nomo. O Sr. Eng.� � cofundador do Festival Angra Jazz que tem tido uma evolu��o not�vel a par dos melhores festivais a n�vel nacional e internacional. Qual o segredo para se ter um festival de sucesso, � parte de um bom cartaz claro? RP - Ponto n�mero um � sempre um bom cartaz, em segundo eu referia a disciplina, e tamb�m uma grande carolice tem de se gostar muito daquilo que se faz. Importante tamb�m � ter uma boa rela��o com a comunica��o social. Eu costumo dar como exemplo o Cristiano Ronaldo ir jogar � ilha das Flores se ningu�m souber que ele l� esteve � mentira que ele l� tenha estado. Aqui � a mesma coisa, temos de ter c� um jornalista do P�blico ou um jornalista do Expresso sen�o ningu�m sabe no Continente que tivemos aqui o Kurt Elling (http://www.youtube.com/watch?v=iXprs8-U5nA) a dar o melhor concerto do ano de todos os concertos de Jazz que houve em Portugal. E � por isso que o nosso festival � conhecido a n�vel nacional e internacional, porque os m�sicos gostam de c� vir e como � evidente cria um experi�ncia e uma maturidade que faz com que as coisas corram todas bem e depois s�o os m�sicos a dizerem aos agentes que adoraram e posteriormente s�o os agentes a procurarem-nos e eles pr�prios publicitam nas suas p�ginas e jornais dos seus pa�ses. Na sua opini�o qual a maior dificuldade que encontra um m�sico de Jazz nos A�ores? RP- N�o tem onde tocar e portanto tocam muito poucas vezes, este � que � o nosso grave problema. Porque temos m�sicos bel�ssimos com muita qualidade, mas poucos deles conseguem solar, porque n�o t�m de tocar acabando por ter uma falta de autoconfian�a, n�o t�m um incentivo para treinar. Quais as suas prefer�ncias musicais no geral? RP- Adoro m�sica cl�ssica, ainda esta manh� estive a ouvir Mozart. Adoro os Beatles os The Doors adoro o Jim Morrinson. E tamb�m gosto imenso de fado, mas sou extremamente exigente porque gosto de fado bem cantado. Eu acho que o fado � a m�sica que mais se parece com o Jazz. Um fadista que cante como deve de ser tem de swingar, quer dizer ele n�o swinga ele estila como se diz na linguagem do fado, que no jazz chamamos swingar. Adoro o Caman�, Carminho, Ana Moura�s�o grandes nomes da m�sica Portuguesa. Se pudesse prever a evolu��o do Jazz A�oriano onde nos veria ou gostaria de ver dentro dos pr�ximos 10 anos? RP- O que eu gostava era que houvesse mais jovens a tocar Jazz, mais m�sicos de Jazz mais consolidados e que houvesse maior oferta de concertos. E naturalmente que esses m�sicos fossem tocar ao continente e serem conhecidos a n�vel nacional. No + Jazz acreditamos que o Jazz � m�sica para a alma, partilha dessa opini�o? RP- Claro que sim, eu diria que n�o h� Jazz sem alma, um m�sico que toque sem sentimento sem alma n�o est� a tocar Jazz est� a tocar uma m�sica corrida.

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