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Proposta para criação do Plano Integrado do Desenvolvimento das Fajãs de São Jorge

Quinta, 05 de Junho de 2014 em Actualidade 611 visualizações Partilhar Proposta para criação do Plano Integrado do Desenvolvimento das Fajãs de São Jorge

A Deputada do CDS-PP Açores Ana Espínola apresentou, esta quinta-feira, no Parlamento, uma iniciativa que recomenda ao Governo Regional que, no âmbito do próximo quadro comunitário de apoio e em estreita colaboração com os Municípios da ilha de São Jorge elabore o Plano Integrado de Desenvolvimento das Fajãs.

Esta intenção dos populares açorianos foi anunciada em Fevereiro, aquando da realização de Jornadas Parlamentares dedicadas ao turismo e às Fajãs Jorgenses, tendo agora dado entrada nos serviços da Assembleia da Região.

Ana Espínola explicou como é que a sua bancada parlamentar pretende que este Plano Integrado de Desenvolvimento seja implementado: desde logo, “em estreita colaboração com os Municípios da ilha de São Jorge” e aproveitando a entrada em vigor do novo quadro de programação financeira comunitário 2014-2020 “reservando-se verbas significativas para a concretização do Plano”.

Os democratas-cristãos sugerem também que a implementação do Plano seja faseada, “visando recuperar, preservar e manter o valioso património das Fajãs, primeiramente, injectando capital na economia da ilha e criando empregos no sector da construção civil, investindo na consolidação das encostas, melhorando a segurança de pessoas e bens e as acessibilidades, sejam rodoviárias ou trilhos pedestres, e, numa segunda fase, recuperando e mantendo o valioso património ambiental e cultural”.

Por outro lado, acrescentou Ana Espínola, “considerando que a arriba das Fajãs dos Vimes e de São João, as Fajãs do Ouvidor, da Ribeira d’Areia, dos Cubres e da Caldeira do Santo Cristo já estão classificadas como Geossítios integrados no Geoparque Açores, entendemos que deve o Governo Regional desenvolver todas as diligências necessárias, no sentido da futura classificação das Fajãs da ilha de São Jorge como património mundial da UNESCO”.

O Grupo Parlamentar do CDS-PP entende que “estes ex-libris naturais são, nalguns casos, lugares de fertilidade agrícola ou piscatória que revertem a favor da economia insular”, sublinhando que “há um rendimento muito maior que se pode e deve retirar das potencialidades naturais que a Região oferece, nomeadamente ao nível do sector turístico”.

“Como exemplos da geodiversidade da ilha merecem especial destaque as imponentes falésias costeiras da ilha e as suas mais de sete dezenas de fajãs, que a natureza privilegiou com a presença do mar, o benigno clima, a fertilidade do solo, o valioso património cultural, a importante biodiversidade e os variados ecossistemas. As fajãs simbolizam a beleza natural e o isolamento que dominou parte da história da ilha e oferecem panorâmicas extraordinárias que são melhor exploradas tirando partido da rede de percursos pedestres existentes, mas muitos deles a necessitar de urgente intervenção de beneficiação, sinalização e limpeza. As lagunas costeiras da Fajã dos Cubres e da Fajã da Caldeira de Santo Cristo constituem-se como os elementos de geodiversidade mais peculiares da ilha de São Jorge e uma imagem de marca do turismo sustentável, de natureza e ambiental que os Açores devem almejar. A lagoa da Fajã da Caldeira de Santo Cristo, para além das características paisagísticas, é ainda o único local do arquipélago onde se produzem as famosas amêijoas de São Jorge, produto predominante na gastronomia local e com vasto interesse comercial. Neste local paradisíaco outro potencial enorme está a começar a ser aproveitado: a prática do surf”, descreveu Ana Espínola.

A Deputada popular eleita pela ilha de São Jorge destacou ainda “os microclimas que caracterizam muitas destas fajãs e a abundância de água proveniente de ribeiras e cascatas” que “favorecem o uso agrícola dos terrenos e permitem culturas de excelente qualidade e raras nos Açores, como é o caso do café, da banana, do inhame, bem como da uva produtora do típico vinho de cheiro”.

 

Combater desertificação

e gerar riqueza

 

Ana Espínola salientou ainda que “com o passar dos anos, devido às crescentes exigências da modernidade e à vulnerabilidade aos caprichos naturais, diversas fajãs foram abandonadas pelos residentes”, apesar de “muitas permanecerem habitadas todo o ano, ou apenas em certas épocas, mormente associadas a festividades e actividades agrícolas”.

O CDS-PP entende que “as sucessivas derrocadas verificadas e a fragilidade da maioria das acessibilidades às Fajãs, o abandono do património edificado e das férteis terras de cultivo e as potencialidades naturais e turísticas destes ecossistemas carecem de uma intervenção urgente, mas devidamente pensada, visando assegurar o seu futuro e sustentabilidade”, pelo que apresentaram este Projecto de Resolução que seguirá agora os trâmites normais, ou seja, será analisado na Comissão Parlamentar competente antes de subir a plenário, o que poderá acontecer no mês de Setembro.

Ana Espínola terminou dizendo que “as recomendações que ora apresentamos a esta Assembleia não são nenhuma extravagância político-partidária. Esta proposta tem, quanto a nós, duas grandes virtudes e vantagens: permite estimular forte e activamente a economia da ilha por via da recuperação de postos de trabalho e, a prazo, fará com que um património natural, histórico, cultural e económico seja potenciado em benefício da sua preservação e em nome de um desenvolvimento económico e social que urge recuperar em São Jorge”.

Rádio AzoresGlobal

 

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