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Painho-de-monteiro é alvo de projeto de conservação

Sexta, 04 de Julho de 2014 em Actualidade 1560 visualizações Partilhar Painho-de-monteiro é alvo de projeto de conservação

Ave que apenas existe nos ilhéus da Graciosa, no arquipélago dos Açores, tem novo projeto de conservação que será implementado ao longo dos próximos 11 meses.

Projeto para a conservação do painho-de-monteiro, financiado pela BirdLife International, arrancou no passado dia 1 de junho e será coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). Os objetivos deste projeto passam pela monitorização da espécie nos ilhéus da Praia e de Baixo, a implementação de medidas de conservação e pela formação de uma equipa de especialistas dedicada à elaboração e implementação do plano de ação para o painho-de-monteiro.

O painho-de-monteiro é uma pequena ave marinha que apenas nidifica no Ilhéu da Praia e no Ilhéu de Baixo, localizados ao largo da Ilha Graciosa. Contudo, existem suspeitas da sua nidificação também nas ilhas das Flores e do Corvo. Com uma população de apenas 300 casais reprodutores, esta espécie apresenta um estatuto de conservação desfavorável. São várias as ameaças a que a espécie se encontra susceptível, mas a predação por gaivotas no Ilhéu de Baixo deverá ser a mais relevante. Todavia, é a sua localização restrita a estes dois ilhéus que mais preocupa os especialistas e que originou a necessidade de implementar um projeto de conservação dirigido à espécie.

O projeto “Painho-de-monteiro (fase 1)”, recentemente aprovado e financiado ao abrigo do Programa “Preventing Extinctions” (PEP) da BirdLife International (que a SPEA representa em Portugal), teve início em junho e irá ser implementado até abril de 2015 pela SPEA. Os principais objetivos do projeto são a monitorização da população reprodutora de painho-de-monteiro, a identificação das principais causas de ameaça, a construção de 50 ninhos artificiais no Ilhéu de Baixo, a recuperação dos ninhos artificiais construídos anteriormente pelo Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP) no Ilhéu da Praia, a constituição de uma equipa de especialistas (“Monteiroi task-force”) e, por fim, definir o Plano de Ação para o painho-de-monteiro.

A SPEA pretende com este projeto garantir a continuação dos largos anos de trabalho levado a cabo pelo DOP no estudo e conservação desta espécie, contando com o apoio e a longa experiência dos investigadores que pertencem ou já pertenceram aquele departamento da Universidade dos Açores. Para além do DOP, neste momento o projeto conta ainda com o apoio do IMAR – Centro do Mar e Ambiente da Universidade de Coimbra e da Secretaria Regional dos Recursos Naturais através da Direção Regional dos Assuntos do Mar e do Parque Natural da Ilha Graciosa. No entanto pretende-se que representantes de outras entidades relevantes para a conservação desta espécie façam parte da equipa de especialistas, tais como, a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa e o setor turístico privado a operar na ilha.

Entre os passados dias 28 de junho e 2 de julho, decorreu a primeira campanha de monitorização no âmbito deste projeto, com a deslocação de 3 técnicos da SPEA ao Ilhéu da Praia. Foram contabilizados 73 ninhos de painho ocupados, onde no interior de alguns já se podia observar a pequena cria acabada de nascer. A equipa visitou também o Ilhéu de Baixo com o mesmo objetivo e avaliou ainda o impacto da predação de gaivota-de-patas-amarelas sobre o painho. Esta visita contou com o apoio do Parque Natural da Ilha Graciosa que garantiu o transporte e acompanhamento dos técnicos aos ilhéus e cedeu a casa de apoio do Ilhéu da Praia.

“À semelhança do priolo, o painho-de-monteiro só pode ser observado no Arquipélago dos Açores, facto que tem trazido entusiastas de todo o mundo quer para fotografar como para simplesmente observar a pequena ave” refere Joaquim Teodósio, coordenador da SPEA Açores. Este é mais um exemplo da importância da preservação dos valores naturais do Arquipélago dos Açores. Joaquim Teodósio salienta ainda que “anteriores projetos implementados pela SPEA mostraram que para além da melhoria ambiental, são evidentes as mais valias socio-económicas que este tipo de projetos trazem para a região, como foi o caso dos projetos LIFE Priolo, LIFE Laurissilva Sustentável e LIFE Ilhas Santuário para as Aves Marinhas.”

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