"A Emergência da Mulher: Re-visões Literárias sobre a Açorienidade” é o livro da povoacense Irene Amaral que foi lançado no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Povoação e que resultou de uma tese de doutoramento sobre os estudos luso-afro-brasileiros, realizada nos Estados Unidos da América. “É um ensaio que vai revisitar a escrita de autores e autoras açorianas, para analisar a figuração da mulher na escrita açoriana, escrita de ficção e não ficção”, explicou a autora.
Irene Amaral que vive no estado do Massachusetts diz que o seu trabalho é um estudo comparativo do seu ponto de vista, à luz de teorias de escrita açoriana, de estudos do género e da teoria feminista, que a levou a várias conclusões, tendo por base a investigação da escrita de autores como Vitorino Nemésio. “Enceta-se um percurso de libertação da voz feminina ao longo dos séculos. Sendo que nós, açorianos, devemos estar duplamente orgulhosos porque o primeiro peninsular que se dedicou à escrita sobre a condição da mulher no século XVI chamava-se Rui Gonçalves. É um micaelense, professor na Universidade de Coimbra, e que é de facto o primeiro peninsular que escreve sobre os direitos da mulher, afirmando, já nesta altura, que as mulheres têm potencial para se desenvolverem e devem fazê-lo. Na sua escrita expressa a insatisfação do facto de que as mulheres portuguesas, da época, não estavam a ser formadas para a ciência, e é interessante que nós sabemos que, muitos séculos depois essa continua a ser uma questão pertinente. A educação das meninas é fundamental, então este livro tem também substrato essa preocupação educativa”, referiu a autora.
A professora do Rode Island College, que apoiou o seu processo de pesquisa na biblioteca privada da família Côrte-real, esclareceu que a sua investigação não pretendeu desvalorizar o género masculino em relação ao feminino, mas sim dar a conhecer a libertação da mulher ao longo do tempo. “Não é um livro que tenta dividir os géneros, sobrepondo a mulher ao homem, essa não é a perspetiva. Existe, sim, a pretensão de haver uma sociedade mais igual, uma sociedade mais feliz, e é muito importante aqui a palavra felicidade para falar deste livro, a conquista da felicidade, a conquista da voz, a conquista do corpo como exercício pleno da identidade. Todas essas conquistas fazem parte de uma sociedade mais feliz, em que homens e mulheres vivem de uma forma mais satisfatória”, esclareceu Irene Amaral.
O Presidente da Câmara da Povoação, Carlos Ávila, elogiou, na sessão solene de apresentação do livro, a obra e a sua autora; uma personalidade marcante, que no seu entender, foi figura decisiva na passagem do Ensino Privado para o Ensino Público do Concelho da Povoação.