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Açores estão desorganizados quanto à mineração

Segunda, 20 de Fevereiro de 2017 em Economia 2742 visualizações Partilhar Açores estão desorganizados quanto à mineração

Presidida pelo General Luís Ruivo, ocorreu na sala de conferências do Hotel Caracol, em Angra do Heroísmo, no dia 17, organizado pelos Rotários de Angra, um Seminário de grande interesse para os Açores sobre o tema " Extensão da Plataforma Continental--Actualidade e Perspectivas ".

Foram convidadas diversas entidades ligadas ao tema, nomeadamente o Almirante Pires da Cunha, do Estado Maior das Forças Armadas, o Doutor Nuno Paixão, da Estrutura de Missão para a nova Plataforma Continental e o Professor Victor-Hugo Forjaz, Catedrático Jubilado de Vulcanologia da Universidade dos Açores e um dos mais experientes peritos em geologia económica do Atlântico.

Contactado pelo Correio dos Açores, Victor Forjaz respondeu a algumas questões:

1 - No mar dos Açores existem realmente minerais com interesse económico?

Sim, existem, mas em volumes ignorados e sem cálculos de reservas exploráveis fiáveis. Portugal está na infância dos seus conhecimentos. Por enquanto apenas se conhece a sua existência mas há equipas francesas, inglesas, alemãs e espanholas bem melhor informadas. Os norte-americanos também. Foram mais rápidos e discernentes. Portugal foi sebastiânico embora já se tenha avançado na defesa do território submarino que deve ser português.

E nunca existiu uma verdadeira colaboração entre os serviços oceanográficos militares e civis. Degladiaram-se embora existisse espaço para todos.  Perderam-se preciosas parcerias. Ganharam os estrangeiros.

2 - Como explicar o nosso atraso, nomeadamente o dos Açores?

Toda essa gente estrangeira já se encontra convenientemente organizada. Desde há anos e cada vez melhor. E nos respectivos governos existem serviços estatais que tomam conta desse património com algum secretismo. Porque envolvem jazidas de minérios vulgares (manganês, pirites, zinco, algum ouro, metano, etc.) mas também minérios denominados hightech (como as "terras raras" usadas no "i.phones", nas novas tecnologias), novos seres com interesse biotecnológico, etc., etc. Um novo mundo.

Os Açores ficaram atrasados porque optaram apenas pela biologia. Com o falecimento dos 2 únicos geólogos que existiam na Horta, no DOP, preferiram contratar biólogos e desligaram-se da geologia submarina. Ou melhor, entregaram o tema a um conhecido professor de Lisboa. Ele e os estrangeiros ficaram com quase tudo. Nos Açores foram ficando uns frangalhos. Por outro lado, o sector de Geociências de Ponta Delgada nunca se interessou pelo estudo petrológico do fundo do mar. Ainda consegui contratar um investigador para geologia da costa mas com o meu afastamento objectivo desapareceu. Preferiram a sismologia pois dá mais aparato mediático. É a verdade nua e crua.

 

3 - O que fazer, então?

Unir esforços científicos, políticos e operacionais. A tempo e horas. A divisão do mar vai ser essencialmente política. Não hajam dúvidas. Compete aos governos da República e Insulares concretizarem as suas novas estruturas de recolha e de intercâmbio de dados e de acompanhamento de expedições de pesquisa mineira. A Universidade é para estudar, descobrir, recomendar. Não deve tomar o papel governamental, semelhante a um serviço de geologia e minas. À nova agência insular (preferencialmente dependente das tutelas da Economia e do Mar) compete organizar um banco de dados continuamente actualizado, organizar um banco de amostragem, estabelecer parcerias estratégicas, manter-se informada sobra o que se passa em outros locais. 10 anos é o prazo mínimo para uma efectiva operacionalidade. Mas é um investimento com retorno certeiro.

Imagem do fundo do mar após uma mineração incontrolada --- devastação total!

FONTE: OVGA

 

Rádio AzoresGlobal

 

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