Nem Tudo Começa na Escola (Francisco Maduro - Dias)

Quinta-Feira, dia 09 de Agosto de 2012

Estou em crer que nem tudo começa na escola, mas também acredito que se continua nela – ou apesar dela –, pois o defeito (sem aspas, porque é mesmo defeito) não está na escola, está em nós!
Estou em crer que muita coisa começa antes, quando se treina a inveja e não a investigação, sob a capa do tão badalado espírito competitivo.
Estou em crer que muitas das coisas que se dizem acerca da juventude "não querer", "não fazer", "não saber", "não poder", assenta nesse nosso modo estranho de negar permanentemente o que existe diante dos olhos pedindo, logo a seguir, todo o esforço possível em direcção a qualquer coisa que, entretanto, surgiu.
Estou em crer que nem tudo começa na escola, mas muito passa por ela, quando insistimos em desconstruir, diariamente, na mente dos meninos e meninas, qualquer tipo de gosto por estas ilhas, pelas suas capacidades e conteúdos, para além do "amor" pela terra onde se nasceu.
São as ilhas que não são continentes; são os comboios e as planícies que não temos; são os rios e lagos que não temos; são as enormes cidades que não temos; são – até – os desertos que não temos!
Não é a primeira vez que trago o assunto aqui, mas a situação actual de crise nas nossas vidas recomenda voltar a ele.
Teimamos em copiar o que outros fizeram, em vez de procurar as raízes da ideia.
Esta terra, como qualquer outra terra, aliás, é diferente das outras. O modo – os modos – têm de ser outros. Nem sequer importa saber se o que se pretende é igual ao que existe na terra do vizinho! Basta que o lugar seja diferente para se dever procurar o método mais certo e melhor adaptado, reinventando-o se preciso for, sem "copianços" estúpidos.
É aqui que deveria entrar a questão da escola e de todo o sistema de ensino.
A questão mais complicada reside no facto de ela e a comunidade estarem alinhadas, ambas assumindo que o futuro existe sempre noutro lado qualquer.
Se nem tudo começa na escola, o certo é que qualquer visão do amanhã, consistente e operativa, se organiza aí, ensinando modos de ver – e não apenas de olhar –, recursos e possibilidades no que há em volta.
Infelizmente, tem-se ensinado vezes demais, tempo demais, que o futuro não é aqui, não passa por aqui e que apenas a saudade poderá morar por estas bandas!
Temos – todos – de dar uma volta ao pensamento que tem feito os nossos dias e de construir, na mente dos meninos e meninas uma escola de pensamento diferente, com um gosto sistematizado, estruturado, aberto ao mundo e participando nele, por estas ilhas, pelas suas capacidades e conteúdos.
Um gosto onde morem alma e inteligência, lado a lado!